Beth Goulart revela como salvou Nicette Bruno do luto e critica novelas atuais: ‘Falta emoção’
A atriz Beth Goulart abriu o coração durante a sua participação no Programa Flávio Ricco na LeoDias TV. Em uma entrevista profundamente emocionante, a artista revisitou o legado inestimável deixado por seus pais, os saudosos Nicette Bruno e Paulo Goulart, detalhou como a arte salvou sua mãe do luto após a viuvez e fez uma análise crítica sobre as drásticas transformações narrativas nas novelas atuais.
Um dos momentos mais tocantes da conversa foi a revelação sobre o período em que perdeu o pai. Paulo Goulart faleceu em março de 2014, logo após completar 60 anos de casamentos com Nicette. Na época, diante do agravamento da saúde do patriarca, Beth tomou a difícil decisão de paralisar a sua aclamada peça de teatro.
“Vou deixar a Clarice dormindo porque eu precisava me dedicar à mamãe”, relembrou ela sobre o espetáculo Simplesmente Eu, Clarice Lispector.
O teatro como ferramenta de cura após a perda de Paulo Goulart
Para ajudar Nicette Bruno a lidar com o vazio imenso da perda do companheiro de uma vida inteira, Beth Goulart usou o teatro como uma verdadeira ferramenta de cura e sobrevivência. Ela adaptou e dirigiu o espetáculo Perdas e Ganhos, baseado na obra da escritora Lya Luft, exclusivamente para que a mãe estrelasse e voltasse aos palcos.
“Eu falei: ‘Trabalho é vida’. Eu tenho que chamar a mamãe para a vida, mostrar a força dela no palco. […] A melhor homenagem que se pode fazer a quem se foi é viver”, destacou a atriz, definindo o projeto familiar como um processo fundamental de renascimento.
A sintonia inegável de Nicette e Paulo, que transbordava das câmeras para a vida íntima, também foi exaltada. Para a convidada, o maior patrimônio deixado pelo casal de veteranos vai muito além da vocação artística.
“Eles tinham uma química no palco e na vida. Eram muito amorosos, muito generosos. Essa energia de amor, carinho, respeito e fé passou para nós. Esse é o nosso grande legado, uma referência de seres humanos que lidam com amor naquilo que fazem. Não é à toa que nascemos todos na mesma família”, declarou, enfatizando a “força missionária” de seus pais.
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Crítica à teledramaturgia atual
Com uma carreira consagrada e de sucesso na televisão brasileira, Beth Goulart também aproveitou o espaço para fazer uma análise crítica sobre o formato atual da teledramaturgia nacional. Ela apontou que o hábito nostálgico de reunir a família na sala de casa para acompanhar um capítulo e debater a história foi substituído por uma experiência solitária e imediatista, muito impulsionada pela era do streaming.
Segundo a veterana, as produções atuais passaram a refletir essa pressa comportamental da sociedade, sacrificando a densidade narrativa e o tempo de desenvolvimento dos personagens.
“As pessoas não querem mais passar muito tempo assistindo. A gente sente falta de pausas nas representações, de uma cena mais longa para aprofundar o tema. Hoje, a informação ficou mais importante do que a emoção”, cravou a artista.
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