Bitcoin cai 19% da máxima de maio; é hora de comprar?
O bitcoin já caiu 9,2% nos últimos três dias e está 19% abaixo da sua máxima de maio, quando chegou a operar aos US$ 82.791. Com o desempenho negativo, muitos investidores começam a se questionar se agora é hora de aproveitar a baixa e entrar no ativo.
No entanto, analistas ouvidos pela EXAME apontam que não é tão simples assim. Matheus Parizotto, analista-chefe de research da Mynt do BTG Pactual, diz que o conjunto de indicadores para a criptomoeda segue negativo, com sinais gráficos desanimadores e vários dias consecutivos de retirada de recursos de fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) da moeda digital.
“Os ETFs de bitcoin continuam registrando resgates recordes e o desconto na Coinbase ainda sugere pressão vendedora institucional”, destaca Parizotto.
Sequências de entradas e saídas de ETFs spot de bitcoin
Assim, Valter Rebelo, especialista de criptoativos da Empiricus, afirma que é necessário algum sinal de que o mercado está mudando para que seja possível dizer que é hora de comprar.
“O ideal seria o bitcoin reganhar a sua média móvel de 50 dias, que hoje está por volta de US$ 77 mil. O bitcoin está abaixo de suas médias de 50 e de 200 dias”, lembra.
Cenário macro atrapalha
De acordo com Rebelo, a liquidez no mercado não está muito propícia para o bitcoin. Os investidores continuam preferindo colocar dinheiro em ativos ligados a inteligência artificial.
“Estamos em um momento de reprecificação de juros, com expectativa de que as taxas estejam mais elevadas”, aponta. “Ação da Nvidia está precificando mais crescimento com investimento. Startup tem fluxo de caixa lá na frente e ainda não começou a dar lucro, então sente mais a reprecificação. No caso do bitcoin, ele não tem fluxo de caixa, então o impacto acaba sendo ainda pior.”
Do ponto de vista regulatório, o que poderia impulsionar o BTC é a aprovação do projeto de lei de regulamentação dos criptoativos nos Estados Unidos, o chamado Clarity Act. A proposta já foi aprovada na Comissão de Assuntos Bancários do Senado dos EUA e está na agenda para ser apreciada pelo plenário.
Caso seja aprovada no Congresso, traria maior segurança jurídica para operações com ativos digitais na maior economia do mundo.
Razões para acreditar em novas altas
Por outro lado, Parizotto ressalta que alguns sinais indicam que o movimento de venda pode estar se aproximando de um ponto de exaustão no curto prazo.
“O bitcoin negocia a mais de três desvios-padrão abaixo da média de 50 dias, enquanto os fluxos dos ETFs estão cerca de 2,5 desvios-padrão abaixo da média mensal. Historicamente, leituras tão extremas como essa costumam aumentar a probabilidade de um repique nos preços”, argumenta.
Geralmente, o preço fica três desvios-padrão de distância da média em menos de 0,3% do tempo.
Na opinião do analista da Mynt, é possível que haja uma recuperação dos atuais US$ 67 mil nos próximos dias, mas ela precisa vir acompanhada de melhora nos fluxos, redução no desconto na Coinbase e reversão de momentum.
“Sem essa confirmação, dificilmente será uma retomada sustentada, e o bitcoin ainda pode voltar a testar as mínimas do ano, próximas de US$ 60 mil.”
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