Bitcoin recua para US$ 76 mil e está 'pressionado' por redução de apetite ao risco
Nesta segunda-feira, 18, o bitcoin é negociado próximo de US$ 77 mil. A maior criptomoeda do mundo, que vinha sinalizando recuperação significativa e chegou a se manter acima de US$ 80 mil na última semana, não sustentou o movimento durante o final de semana, voltando a recuar. Especialistas do Mercado Bitcoin e da Bitget apontam que o ativo está "pressionado" pela redução no apetite ao risco de investidores.
No momento, o bitcoin é cotado a US$ 76.965, com queda de 1,7% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinMarketCap. Nos últimos dias, a criptomoeda acumula queda de 4,7%.
O Índice de Medo e Ganância, utilizado para medir o sentimento do mercado, sinaliza "medo" em 28 pontos.
"O bitcoin voltou a operar na faixa dos US$ 76 mil após não conseguir sustentar o movimento de recuperação observado na última semana. O ativo segue pressionado pela redução do apetite por risco no curto prazo, especialmente diante do aumento das incertezas geopolíticas e da fragilidade dos fluxos institucionais recentes", disse Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin.
"Do ponto de vista técnico, a região entre US$76 mil e US$75 mil passa a funcionar como principal suporte imediato para o mercado. Uma perda consistente dessa faixa pode ampliar o movimento corretivo em direção aos US$ 73 mil–74 mil, enquanto a retomada da região dos US$ 78 mil–80 mil seria importante para reduzir a pressão vendedora de curto prazo", acrescentou.
O analista pontuou ainda que, apesar da queda recente, "os dados onchain continuam mostrando um comportamento relativamente construtivo entre investidores de longo prazo. Os investidores de longo prazo acumularam aproximadamente 31,1 mil BTC na última sexta-feira, 15, reforçando a leitura de que parte relevante do mercado continua enxergando os níveis atuais como estratégicos para posicionamento de longo prazo".
Análise técnica do bitcoin
"Após atingir a máxima de US$ 82.048 na última quinta-feira, 14, o preço do bitcoin iniciou um movimento de baixa, o qual levou a principal criptomoeda do mercado atingir, até o momento desta publicação, a mínima de US$ 76.583", disse Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio.
"Ao analisar o fluxo, é possível observar que a força vendedora prevalece mais forte. Se houver continuidade da queda, os suportes estão nas faixas de preços dos US$ 73.5 mil e US$ 69.150. Caso entre força compradora e reverta o movimento, as resistências estão nas faixas de preços de US$ 79.280 e US$ 81 mil", acrescentou.
O que esperar
Gil Herrera, diretor de estratégia e operações da Bitget na América Latina apontou que a maior criptomoeda do mundo iniciou a semana "sob forte pressão", acompanhando um movimento global de fuga de risco após o aumento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.
"Além da questão geopolítica, o mercado também volta a precificar um cenário macroeconômico mais desafiador. A disparada do petróleo reacende temores de uma nova pressão inflacionária global justamente em um momento em que investidores buscavam sinais mais claros de flexibilização monetária por parte do Federal Reserve", disse.
"Caso a inflação volte a acelerar, aumenta a possibilidade de manutenção dos juros elevados por mais tempo — ou até mesmo de novas altas —, o que reduz a atratividade relativa de ativos sem rendimento, como o bitcoin, frente a investimentos mais conservadores atrelados a juros. O comportamento dos próximos dias deverá depender principalmente da evolução das tensões no Oriente Médio e de como o mercado irá recalibrar as expectativas para a política monetária dos Estados Unidos", acrescentou.
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