Blindado à IA? Símbolo da 'velha economia', setor de transporte volta ao radar

Por Ana Luiza Serrão 13 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Blindado à IA? Símbolo da 'velha economia', setor de transporte volta ao radar

Símbolo da chamada "velha economia", o setor de transportes entrou no foco dos investidores e retomou o protagonismo em Wall Street, superando os principais índices acionários dos Estados Unidos (EUA), em meio ao aumento recente das preocupações com os desdobramentos da inteligência artificial (IA).

Nas últimas seis semanas, o Dow Jones Transportation Average superou o índice S&P 500 em 13 pontos percentuais (p.p.), atingindo o melhor desempenho desde a crise financeira global. O rali é impulsionado por empresas que, no passado, sustentavam o ritmo da atividade econômica e voltam, agora, a ganhar tração.

Nomes como CSX Corp., FedEx Corp., Old Dominion Freight Line Inc. e United Airlines Holdings Inc. foram destaques em um movimento voltado à mudança de estratégia dos investidores, os quais buscaram diversificar suas carteiras diante da cautela em relação ao setor de tecnologia, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.

Os especialistas apontam uma preocupação maior com os impactos da IA e com o volume de gastos de capital anunciado pelas gigantes do setor, o que tem levado parte do mercado a reavaliar riscos e expectativas de retorno. Por isso, o capital tem migrado para categorias de investimento "resistentes à IA".

Dados econômicos impulsionam o otimismo

O estrategista-chefe de mercado da Nationwide, Mark Hackett, explicou à Bloomberg que o aumento na demanda por manufatura tem gerado, neste cenário, uma necessidade maior de transporte. Ele destacou que isso é um sinal técnico importante para investidores buscarem ações que se beneficiam primeiro de uma melhora econômica.

No final de janeiro, o Institute for Supply Management (ISM) revelou que a atividade manufatureira expandiu em um ritmo mais rápido desde 2022, o que levou o índice de transporte a atingir uma nova máxima histórica de fechamento, reforçando a posição de quem busca por investimentos "mais seguros", relatou a agência.

Além disso, a chefe de ações globais e ativos reais do Wells Fargo Investment Institute, Sameer Samana, destacou à Bloomberg que o setor é, ainda, um dos mais sensíveis à economia, uma vez que níveis mais altos de atividade exigem que itens sejam movimentados pelo país e pelo mundo.

Em congruência com o relatório de empregos dos EUA, Payroll, divulgado na quarta-feira, 11, que veio acima do esperado e sinalizou que o mercado de trabalho está encontrando estabilidade. Samana vê a combinação de investidores buscando alternativas às ações vinculadas à IA e uma economia forte reforçando a tese positiva de investimento.

Perspectivas diferentes entre analistas

O cenário futuro para as ações de transporte divide opiniões de analistas ouvidos pela Bloomberg. Do Citigroup, Ariel Rosa adotou uma postura mais cautelosa, rebaixando a recomendação para quatro transportadoras rodoviárias após o ISM e analisando que a melhora no cenário econômico já estaria "em grande parte precificada."

Já o analista da Benchmark, Christopher Kuhn, acredita que o rali no setor rodoviário ainda tem espaço para crescer, observando que, se a demanda aumentar, as empresas serão rápidas em colher os benefícios. Kuhn ressaltou à agência que até pequenos crescimentos em receita, volume e preços podem resultar em margens significativas.

Enquanto o analista do Leuthold Group, Greg Swenson, classificou alguns setores com uma situação mista na última semana, como os segmentos aéreo, ferroviário e de carga. No entanto, o especialista ouvido pela Bloomberg se mostrou mais otimista quando se trata de perspectivas para o transporte aéreo de cargas e logística.

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