Blue chips pesam e Ibovespa volta a flertar com terreno negativo
Após apagar as perdas e operar em alta no início da tarde, o Ibovespa voltou a virar para o campo negativo nesta terça-feira, 10. Por volta das 14h15, o principal índice acionário da B3 recuava 0,04%, aos 186.165 pontos, praticamente estável.
O movimento ocorre apesar do desempenho positivo das bolsas de Nova York. No mesmo horário, o Dow Jones avançava 0,61%, enquanto o S&P 500 subia 0,15% e o Nasdaq registrava alta de 0,08%.
No mercado local, o viés mais cauteloso foi influenciado pela queda de ações de peso no índice. A Vale (VALE3) recuava 0,29%, enquanto a Petrobras também operava em baixa, com perdas de 0,73% em PETR3 e de 0,70% em PETR4. As units do BTG Pactual (BPAC11) destoavam do desempenho dos demais bancos e caíam 1,74%.
Mais cedo, o Ibovespa chegou a apagar as perdas e operar em alta, após ter aberto o pregão em queda. Às 10h30, o índice recuava 0,37%, aos 185.554 pontos, em um movimento de realização de lucros depois de ter encerrado a segunda-feira, 9, em nova máxima histórica de fechamento, aos 186.242,99 pontos, com alta de 1,80%, puxado principalmente pelas ações de maior peso, como bancos, Petrobras e Vale.
Inflação no radar
No cenário macroeconômico doméstico, o destaque do dia é a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A inflação oficial do país subiu 0,33% em janeiro, mesmo resultado observado em dezembro de 2025.
Com isso, o acumulado em 12 meses avançou para 4,44%. Em janeiro do ano passado, o índice havia registrado alta de 0,16%. O resultado veio levemente acima da mediana das estimativas de mercado, que apontava avanço de 0,31%.
Segundo o IBGE, os principais impactos no resultado do mês vieram de movimentos opostos nos preços administrados. Enquanto a gasolina teve alta de 2,06%, a energia elétrica residencial recuou 2,73%, ajudando a conter uma pressão inflacionária ainda maior.
"Existem desafios importantes que observamos no curto prazo. Ou seja, embora a inflação do serviço tenha vindo num patamar baixo, puxado por queda de passagens aéreas e devolução dos preços de transportes por aplicativos, que subiram bastante no final do ano passado, em dezembro, a parte ligada à atividade econômica e ao mercado de trabalho ainda segue bem pressionada", afirma Julio Barros, economista do Banco Daycoval.
Segundo o economista, isso não muda o cenário de expectativa de início de corte de juros em 0,25% em março que projeta a instituição, mas ele não descarta que os novos dados podem mudar a percepção e o Banco Central pode evidentemente começar com cortes mais intensos.
Dados de emprego nos EUA e balanços
No cenário internacional, os investidores acompanham balanços corporativos e aguardam dados relevantes ao longo da semana, com destaque para o relatório de emprego dos Estados Unidos.
O índice do custo do emprego no país subiu 0,7% no quarto trimestre de 2025 em relação aos três meses imediatamente anteriores, de acordo com dados do Departamento do Trabalho. O resultado ficou levemente abaixo do esperado por participantes do mercado, que projetavam aumento de 0,8% do indicador.
Na comparação com o quarto trimestre de 2024, o custo do emprego apresentou um aumento de 3,4%. Além disso, as vendas no varejo dos Estados Unidos ficaram estáveis em dezembro ante o mês anterior, segundo dados do Departamento de Comércio americano, totalizando US$ 735 bilhões. O desempenho das vendas ficou abaixo do consenso de alta de 0,4% de analistas.
Nesta terça-feira, a agenda norte-americana inclui discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), o que pode trazer novas sinalizações sobre a condução da política monetária.
A expectativa predominante é de manutenção dos juros na reunião de março, com dois cortes precificados pelo mercado para o segundo semestre. Nesse ambiente, o dólar subia 0,29%, cotado a R$ 5,204, depois de caído ontem ao menor valor desde 28 de maio de 2024.
No Japão, o índice Nikkei renovou máximas históricas, sustentado pela expectativa de uma política fiscal mais expansionista após a vitória eleitoral expressiva da primeira-ministra Sanae Takaichi.
No Brasil, além do IPCA, os investidores monitoram outros indicadores de preços, dados da indústria, operações do Banco Central no mercado cambial e compromissado, além de compromissos do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
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