Bolsas da Europa fecham em queda com escalada tarifária dos EUA

Por Da redação, com agências 23 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Bolsas da Europa fecham em queda com escalada tarifária dos EUA

A nova rodada de tensões comerciais iniciada pelos Estados Unidos voltou a contaminar os mercados globais nesta segunda-feira, 23, e levou as bolsas europeias a encerrarem o pregão sem direção única.

O anúncio do presidente Donald Trump de elevar a tarifa global sobre produtos estrangeiros de 10% para 15% ampliou a cautela dos investidores e reforçou o movimento de aversão ao risco.

O índice Stoxx 600 caiu 0,49%, aos 627,48 pontos. Em Frankfurt, o DAX recuou 1,06%, a 24.991,97 pontos, enquanto o FTSE 100, em Londres, oscilou e terminou praticamente estável, com leve baixa de 0,02%, aos 10.684,74 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,22%, aos 8.497,17 pontos.

Já as praças do sul da Europa tiveram desempenho positivo. O FTSE MIB, em Milão, subiu 0,49%; o Ibex 35, em Madri, avançou 0,52%; e o PSI 20, em Lisboa, saltou 1,71%.

No noticiário corporativo, as ações do setor bancário avançaram 1,08%, enquanto empresas ligadas a matérias-primas ganharam 0,88%, impulsionadas pela valorização de metais como ouro e cobre.

Entre os destaques individuais, a italiana Enel disparou 6,8% após anunciar um novo plano estratégico trienal, com aumento de investimentos e promessa de maior retorno aos acionistas. Em Lisboa, a Nos SGPS subiu 4,3%, contribuindo para a resiliência do mercado local. Em Londres, a JD Sports avançou 3,4% após divulgar um programa de recompra de ações.

Já entre as fabricantes de equipamentos para semicondutores, o desempenho foi misto: a ASML Holding recuou 0,48%, enquanto a ASM International avançou 0,17%, e a BE Semiconductor ganhou 1,5%.

Tensão comercial com os EUA

O pano de fundo da sessão foi o recrudescimento da política tarifária americana. No sábado, Trump anunciou, por meio da rede Truth Social, que elevaria imediatamente a tarifa global para 15%, após classificar como “ridícula” a decisão da Suprema Corte dos EUA que, na sexta, 20, considerou ilegal o mecanismo utilizado pelo governo para impor as tarifas anteriores.

Por 6 votos a 3, a Corte entendeu que o presidente extrapolou sua autoridade ao usar a International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) para justificar as sobretaxas, ressaltando que a Constituição atribui ao Congresso o poder de instituir tributos.

Após a decisão judicial, Trump recorreu à Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao presidente aplicar tarifas por até 150 dias sem aprovação do Congresso. As alíquotas de 10% estavam previstas para entrar em vigor em 24 de fevereiro, mas o novo anúncio elevou o percentual e não detalhou o cronograma de implementação.

O presidente afirmou ainda que novas tarifas “legalmente permitidas” serão divulgadas nos próximos meses.

Analistas do ING avaliam que a União Europeia dificilmente enfrentará um acordo comercial pior do que o atual, com o qual os exportadores do bloco já aprenderam a lidar. Ainda assim, autoridades europeias buscam mais clareza sobre o novo programa tarifário americano e discutem a possibilidade de congelar a ratificação de um acordo comercial com os Estados Unidos até que haja maior previsibilidade.

No campo macroeconômico, indicadores ficaram em segundo plano. Na Alemanha, o índice de confiança empresarial Ifo subiu para 88,6 em janeiro, acima da expectativa de 88,4, sinalizando recuperação ainda gradual da maior economia da zona do euro.

(*) Com informações do Dow Jones Newswires e do Estadão

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