Bolsas do Japão batem recordes — e podem subir ainda mais, diz Goldman
O rali nas ações japonesas têm potencial para continuar, com a combinação de sensação de estabilidade política, reformas corporativas e maior entrada de capital estrangeiro, segundo o Goldman Sachs.
Principal índice japonês, o Nikkei 225 está batendo recordes históricos desde 2024, com alta de 53,21% nos últimos 12 meses, enquanto o Tokyo Stock Price Index (Topix) acumula alta de 41% nos últimos 12 meses.
Em termos ajustados ao dólar, o Topix também acumula crescimento de 14% no ano, enquanto, nos Estados Unidos (EUA), a S&P 500 está estável e a Nasdaq cai cerca de 2%, segundo o banco.
O ciclo positivo japonês iniciou em 2022 e dispõe de condições favoráveis à continuidade, na visão do estrategista-chefe de ações do Japão no Goldman Sachs Research, Bruce Kirk.
Vitórias eleitorais e ganhos no mercado
A vitória da primeira-ministra Sanae Takaichi, em um processo de reeleição no dia 8 de fevereiro, também está servindo como um catalisador fundamental para a manutenção do cenário.
Segundo Bruce Kirk, o resultado eleitoral é "extremamente consequente tanto do ponto de vista da estabilidade política quanto como um fator positivo para o mercado de ações japonês".
Historicamente, vitórias eleitorais com forte mandato político têm sido seguidas por ganhos no mercado, e o estrategista do Goldman Sachs no Japão observa que, em casos anteriores, o mercado já subiu cerca de 20% nos três meses seguintes às eleições.
Maior estabilidade e fluxo estrangeiro
Um dos principais efeitos de ganhar a reeleição é a redução do risco percebido pelos investidores, já que um mandato político forte tende a prolongar o tempo no poder do governo e aumentar a previsibilidade das políticas.
Kirk também avalia que esse ambiente mais estável favorece a entrada de capital estrangeiro, um dos principais motores da valorização das ações japonesas.
O banco observa que investidores estrangeiros já voltaram a aumentar sua exposição ao Japão desde o início do atual ciclo de alta, embora ainda não tenham atingido níveis muito altos.
Apenas na semana anterior à eleição, houve compra líquida de cerca de 1,8 trilhão de ienes por investidores internacionais, o segundo maior volume já registrado.
"Quando o Japão supera os EUA em termos ajustados ao dólar, isso tende a atrair mais fluxos estrangeiros, o que eleva os múltiplos e sustenta o mercado", acrescenta Kirk.
Mesmo com esse aumento, os fundos globais ainda mantêm participação abaixo do histórico, o que indica espaço adicional para novos fluxos, de acordo com Kirk.
Japão: fase ascendente e de entrega
O Goldman Sachs avalia que o mercado japonês ainda está em uma fase ascendente do ciclo apesar dos ganhos recentes, e o mercado entra agora em um nível chamado de "fase de entrega".
Isso porque o governo e as empresas precisam cumprir expectativas criadas pelas reformas e melhorias institucionais dos últimos anos, incluindo melhor governança e aumento da rentabilidade.
O rali poderia se romper, ademais, com mudanças inesperadas na liderança política, políticas fiscais que afetem a confiança dos investidores ou choques externos, como desaceleração global, segundo Kirk.
Um dos principais indicadores monitorados é o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que permanece em torno de 9% a 10%.
Kirk, entretanto, ressalta que o contexto político e econômico atual "sugere mais valorização a partir daqui" para as ações japonesas.
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