Bolsas globais apagam perdas da guerra e voltam a bater recordes
O mercado financeiro global se recuperou em pouco tempo do choque causado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. O MSCI World Index, termômetro que reúne mais de 1.000 ações de grandes empresas nos países desenvolvidos, atingiu uma nova máxima histórica e já opera quase 2% acima do nível anterior à guerra.
A virada ocorre ainda que o conflito não tenha chegado ao fim. O cessar-fogo é frágil, os prazos apertam e o presidente americano Donald Trump voltou a ameaçar o Irã na segunda-feira, dizendo que "muitas bombas vão começar a cair" se um acordo não for fechado a tempo.
No momento mais tenso da crise, o índice chegou a cair mais de 3% em uma semana.
O que explica a recuperação?
Os investidores mudaram de posição rapidamente. Quando a guerra começou, muitos correram para ativos mais seguros. Com os sinais de cessar-fogo, fizeram o caminho inverso, e depressa.
"A recuperação foi impulsionada pelo rápido desmonte do prêmio de risco de guerra embutido nas ações, no petróleo e no dólar", disse Billy Leung, estrategista da Global X ETFs, segundo a CNBC.
Zavier Wong, analista da eToro, acrescenta que os investidores logo concluíram que o conflito ficaria restrito às duas partes envolvidas, sem se alastrar pela região. "Uma vez que essa visão se consolidou, a queda pareceu uma reação exagerada", disse à agência.
O próprio analista faz uma ressalva: os mercados já começaram a recuar um pouco com os sinais de dificuldade nas negociações de paz, "o que sugere que o rali foi mais condicional do que pareceu à primeira vista".
Inteligência artificial no centro do otimismo
Outro motor importante da alta é o entusiasmo em torno da inteligência artificial. Empresas do setor continuam atraindo fluxos bilionários, e isso tem dado sustentação às bolsas mesmo em meio à incerteza geopolítica.
O estrategista Ed Yardeni resume bem o humor dos mercados: "Acho que o mercado está certo ao acreditar que Trump pretende encerrar isso mais cedo do que tarde, e que a economia mundial, notavelmente resiliente nos últimos anos, continuará assim", disse à CNBC. Para ele, os investidores estão focados numa onda de inovação em IA, robótica e veículos autônomos, e não na guerra.
Um sinal de alerta
Nem tudo aponta na mesma direção. Wong chama atenção para uma divergência importante: enquanto as bolsas sobem, o mercado de renda fixa ainda precifica riscos econômicos relevantes. Em outras palavras, quem investe em títulos de dívida está mais cauteloso do que quem compra ações — e essa diferença de leitura sobre o futuro merece atenção.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: