Bolsas na Europa fecham em alta com pausa de Trump em ataques ao Irã

Por Clara Assunção 24 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Bolsas na Europa fecham em alta com pausa de Trump em ataques ao Irã

As bolsas europeias encerraram o pregão desta segunda-feira, 23, majoritariamente em alta firme, revertendo as perdas registradas na abertura, em um movimento guiado pelo alívio nas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.

Pela manhã, o tom era de aversão ao risco. Por volta das 6h05 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 1,89%, aos 562,47 pontos, refletindo a escalada da guerra no Oriente Médio e a troca de ameaças entre Washington e Teerã.

No sábado, 21, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia dado um ultimato de 48 horas para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz, sob ameaça de ataques à infraestrutura energética do país. O clima de tensão se espalhava pelas principais praças. A bolsa de Londres caía 1,66%, Paris recuava 1,50% e Frankfurt cedia 1,62%. Milão e Madri lideravam as perdas, com quedas superiores a 2%, enquanto Lisboa também operava no vermelho.

Ao longo do dia, no entanto, os mercados viraram de direção. Investidores reagiram a uma mudança de tom por parte de Trump, que afirmou ter tido “conversas muito boas e produtivas” com o Irã e anunciou o adiamento de possíveis ataques a instalações energéticas iranianas por cinco dias, sinalizando espaço para negociações diplomáticas.

Apesar de a informação ter sido posteriormente negada pela agência estatal iraniana, o movimento foi suficiente para reduzir o temor de uma escalada imediata do conflito.

Bolsas na Europa consolidam virada e fecham em alta

No fechamento, o Stoxx 600 avançou 0,63%, aos 576,87 pontos. Entre os principais índices, o DAX, de Frankfurt, subiu 1,22%, aos 22.653,86 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, ganhou 0,79%, aos 7.726,20 pontos. A bolsa de Milão (FTSE MIB) também avançou 0,81%. A exceção foram as ações de Londres (FTSE), que caiu 0,24%.

O alívio também foi impulsionado pela forte queda do petróleo, um dos principais termômetros da crise. O Brent chegou a despencar mais de 14% ao longo da sessão, voltando a operar abaixo de US$ 100 o barril, em meio à percepção de menor risco de interrupções no fornecimento global.

A decisão de Trump reforçou entre investidores a leitura de que o presidente pode recuar de medidas mais duras em momentos críticos — dinâmica conhecida em Wall Street pela expressão “Trump Always Chickens Out” (TACO). O adiamento foi interpretado como um sinal de desescalada, ao menos no curto prazo.

O movimento desta segunda-feira ocorre após uma semana negativa para os mercados europeus. Na última sexta-feira, o FTSE 100, de Londres, acumulava queda semanal de 3,56%, enquanto o DAX recuava 4,88% e o CAC 40 perdia 4,1%. Em Milão, a baixa foi de 2,97% no período, refletindo o aumento das tensões geopolíticas e o impacto da alta do petróleo sobre as expectativas de inflação.

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