Bolsas na Europa fecham em queda de mais de 3% com temor de conflito mais longo no Irã

Por Da Redação 4 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Bolsas na Europa fecham em queda de mais de 3% com temor de conflito mais longo no Irã

O mau humor tomou conta dos mercados europeus nesta terça-feira, 3, com as principais bolsas do continente encerrando o dia em forte queda diante da escalada das tensões no Oriente Médio.

A ausência de sinais de trégua entre Estados Unidos e Irã ampliou a aversão ao risco e reforçou temores de um conflito prolongado, com potenciais impactos sobre os preços de energia e a economia global.

No fechamento, o índice pan-europeu Stoxx Europe 600 caiu 3,18%, aos 603,80 pontos, estendendo as perdas da véspera. Em Frankfurt, o DAX recuou 3,44%, aos 23.790,65 pontos. Em Londres, o FTSE 100 perdeu 2,75%, aos 10.484,13 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, cedeu 3,46%, aos 8.103,84 pontos.

A queda foi disseminada entre os setores, com destaque negativo para o segmento financeiro. Dentro do Stoxx 600, o setor bancário fechou em baixa de 4,27%, entre as maiores perdas do dia, enquanto as seguradoras recuaram 4,18%.

As companhias aéreas e empresas de viagens também permaneceram sob pressão, refletindo o risco de interrupções prolongadas no tráfego aéreo e os temores de desaceleração econômica.

Mesmo empresas que divulgaram resultados sólidos na atual temporada de balanços não escaparam do movimento generalizado de venda. O pano de fundo continua sendo o receio de que um conflito mais duradouro mantenha o petróleo em patamares elevados, reacendendo pressões inflacionárias e dificultando o trabalho dos bancos centrais na Europa.

Petróleo, inflação e risco de choque de oferta

O movimento de venda de ações ocorre em meio à alta expressiva do petróleo e do gás natural. A Bloomberg destaca que os preços do gás europeu acumulam avanço de cerca de 90% desde o fechamento de sexta-feira, impulsionados também pelo fechamento de uma grande unidade de exportação de gás natural liquefeito no Catar.

O foco dos investidores está no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportado globalmente. Agências internacionais, citando fontes iranianas, afirmam que que o estreito está fechado e que o Irã incendiaria embarcações que tentassem cruzar a rota.

Para Mathieu Racheter, chefe de estratégia de ações do Julius Baer, os mercados já não estão precificando apenas ruído geopolítico.

“A percepção de risco vem da possibilidade do preço do petróleo ultrapassar os US$ 100 e se manter nesse patamar”, afirmou à Bloomberg. “Assim sendo, não estaríamos mais falando de um incremento de inflação, mas de um risco de estagflação — crescimento baixo combinado com novas pressões de preço".

A deterioração do cenário já impacta as expectativas de política monetária. Segundo a Bloomberg, a probabilidade de um aumento de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) antes do fim do ano superou 50%, depois de o mercado apostar em novos cortes apenas uma semana atrás. O rendimento do título alemão de dez anos, termômetro da percepção do investidor sobre juros, subiu pelo segundo dia consecutivo, alcançando 2,8%.

Dados divulgados pela Eurostat mostraram que a inflação da zona do euro acelerou para 1,9% em fevereiro, ante 1,7% em janeiro — ainda abaixo da meta de 2% do BCE, mas em um contexto de forte volatilidade nos preços de energia.

O conflito no Oriente Médio entra no quarto dia, sem perspectiva clara de desfecho. Líderes militares americanos anunciaram o envio de mais forças para a região, e o presidente Donald Trump afirmou que a guerra pode durar de quatro a cinco semanas, mas também pode se estender para além disso.

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