BP registra prejuízo no 4º trimestre e suspende recompra de ações
A BP, gigante britânica do setor de petróleo e gás, suspendeu nesta terça-feira, 10, seu programa trimestral de recompra de ações após divulgar o balanço do quarto trimestre de 2025, em um movimento para reforçar o balanço patrimonial diante da queda dos preços do petróleo.
A decisão veio junto à apresentação de um prejuízo líquido no período e reforça o cenário de maior pressão enfrentado pelas grandes petrolíferas em um ambiente de preços mais baixos de óleo e gás.
No quarto trimestre, a BP registrou prejuízo líquido de US$ 3,42 bilhões, ampliando as perdas em relação ao prejuízo de US$ 1,96 bilhão apurado no mesmo período de 2024.
Apesar do resultado negativo na linha final, a companhia informou lucro operacional a custo de reposição — métrica usada como proxy do lucro líquido pelas petrolíferas — de US$ 1,54 bilhão entre outubro e dezembro. O número ficou praticamente em linha com a expectativa dos analistas, que projetavam US$ 1,55 bilhão, segundo consenso compilado pela própria empresa.
O lucro operacional a custo de reposição por ação foi de US$ 10,00. No acumulado de 2025, o lucro líquido somou US$ 7,49 bilhões, abaixo da projeção de mercado, de US$ 7,58 bilhões, e inferior aos quase US$ 9 bilhões registrados em 2024.
A suspensão da recompra ocorre em um momento em que a BP busca fortalecer sua posição financeira e direcionar recursos para sua estratégia de crescimento de longo prazo, com foco na expansão do negócio de upstream, atividades que antecedem a produção e a entrega final de petróleo e gás.
Entre os projetos estratégicos citados pela companhia está o campo Bumerangue, no Brasil, que tem estimativa de 8 bilhões de barris de líquidos, segundo o balanço.
Pressão sobre ações e reação do mercado
A decisão de interromper as recompras foi mal recebida pelo mercado. No pré-market, as ações da BP recuaram mais de 4%, mas a queda se intensificou com o início do pregão. Às 12h21, os papéis da gigante britânica de petróleo caíam 6,44%.
A suspensão reforçou a leitura de que o ambiente de preços mais baixos do petróleo tem limitado a capacidade das companhias de energia de manter políticas agressivas de retorno ao acionista.
A última vez que a BP deixou de realizar uma recompra trimestral foi em 2020, nos estágios iniciais da pandemia de coronavírus, quando o colapso dos preços do petróleo levou empresas do setor a priorizarem a proteção de seus balanços.
Antes da suspensão anunciada agora, a recompra mais recente da companhia havia sido de US$ 750 milhões, após um corte de US$ 1,75 bilhão anunciado em abril do ano passado.
A interrupção das recompras ocorre em meio a um esforço mais amplo da BP para se tornar uma empresa mais simples e lucrativa, após anos de desempenho inferior ao de alguns concorrentes.
Como parte dessa mudança, a companhia reduziu investimentos em ativos de energia renovável que pressionaram os resultados e levaram a baixas contábeis bilionárias.
Ao mesmo tempo, a BP tem apostado em metas mais agressivas de corte de custos e venda de ativos para conter o nível de endividamento. A empresa elevou sua meta de redução de custos estruturais para um intervalo entre US$ 5,5 bilhões e US$ 6,5 bilhões até o fim de 2027, ante a meta anterior de até US$ 5 bilhões.
No quarto trimestre, o lucro subjacente a custo de reposição de US$ 1,54 bilhão representou queda de 30,3% em relação aos US$ 2,21 bilhões registrados no terceiro trimestre.
A dívida líquida da BP encerrou o período em US$ 22,18 bilhões, sem considerar cerca de US$ 6 bilhões que a companhia espera receber com a venda de uma participação majoritária no negócio de lubrificantes Castrol, anunciada em dezembro.
A reestruturação também passa por mudanças no comando da empresa. Com a redução do foco em energias renováveis, a BP trouxe uma nova equipe de executivos. Meg O’Neill, veterana do setor de petróleo e gás e ex-líder da australiana Woodside Energy, assumirá o cargo de diretora-executiva em abril, enquanto Albert Manifold assumiu a presidência do conselho em outubro.
A companhia mantém ainda a meta de vender US$ 20 bilhões em ativos até 2027, como parte da estratégia para reforçar o balanço e sustentar seus planos de crescimento em um cenário mais desafiador para o setor de energia.
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