Brasil é mercado preferido por gestores na América Latina, diz BBA

Por Mitchel Diniz 1 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Brasil é mercado preferido por gestores na América Latina, diz BBA

O  Brasil é o destino favorito dos grandes gestores internacionais para investimentos em ações na América Latina. Essa é uma das conclusões Itaú BBA após cinco semanas de encontros com o "o lado comprador", e que resultaram em um relatório divulgado esta semana pela casa.

A preferência dos fundos de investimento pelo país tem ao menos três explicações: um ciclo de afrouxamento monetário ainda em curso, valuations descontados frente à média histórica e aos pares globais, e empresas de grande capitalização com qualidade reconhecida internacionalmente.

Juros como protagonistas

O principal motor identificado é a trajetória dos juros. O Brasil vive um "ciclo tardio de afrouxamento monetário", diz o relatório, com taxas reais ainda elevadas. Se por um lado isso favorece um momento de carry trade — captação de recursos em países de juros baixos e alocação em territórios de juros altos — o espaço para novas quedas na Selic também gera oportunidades.

O relatório aponta que o Brasil é um dos poucos mercados onde os juros são maiores que o retorno implícito da bolsa. Essa diferença tende a diminuir a medida que os juros forem reduzidos, deixando as ações mais atraentes em relação aos títulos públicos.  Gestores ouvidos pelo BBA avaliam que o mercado precifica menos cortes do que os fundamentos sugerem, o que amplia o potencial de valorização.

Um mercado barato num mundo caro

Enquanto o S&P 500 negocia a cerca de 20 vezes os lucros projetados, o Brasil está em apenas 9,2 vezes — um dos múltiplos mais baixos da região, que por sua vez já é uma das mais baratas do mundo. No acumulado do ano até março de 2026, a bolsa brasileira subia 18,6%, mas o desconto estrutural segue presente, indicando espaço para reprecificações adicionais, afirma o relatório.

Qualidade sim, small caps não

Os gestores ouvidos pelo BBA foram enfáticos: a preferência é por large caps de qualidade, com geração de caixa robusta e gestão testada em múltiplos ciclos. Small caps foram explicitamente evitadas, dado o "fraco histórico" dessas empresas no mercado local.

Os setores mais citados como favoritos são utilities (serviços básicos) e concessões, imóveis — shoppings e incorporadoras — e bancos tradicionais. No lado oposto, a recomendação é de cautela com serviços financeiros de nicho e bens de consumo básico.

Local mantém alocação mínima em bolsa

Investidores locais mantêm alocações em bolsa em mínimas de vários anos, afugentados pelos juros altos. Estrangeiros, apesar do fluxo de cerca de R$ 50 bilhões no ano até agora, também estão com posições abaixo da média na região.

O relatório observa que "pequenas oscilações na alocação global podem gerar fluxos significativos" — dinâmica observada desde o início do ano passado e sobretudo no início de 2026, quando ondas de entrada de capital impulsionaram os mercados.

O Itaú BBA mantém recomendação overweight para o Brasil (equivalente a compra), com preferência por utilities, shoppings, saneamento e cíclicos de qualidade no setor financeiro e imobiliário — visão alinhada ao consenso dos gestores ouvidos pela casa nos encontros.

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