Brasil enviará em 10 dias informações para UE para resolver veto da carne, diz Luis Rua

Por César H. S. Rezende 13 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Brasil enviará em 10 dias informações para UE para resolver veto da carne, diz Luis Rua

BRASÍLIA* — O secretário de Comércio e Relações Exteriores do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, disse nesta quarta-feira, 13, que o Brasil enviará em 10 dias novas informações à União Europeia, separando o cultivo das proteínas, de modo a atender às exigências específicas do bloco europeu sobre a carne brasileira.

Na terça-feira, 12, a UE divulgou uma lista de países autorizados a continuar exportando carne para o bloco, de acordo com as normas europeias de controle do uso de antibióticos na pecuária. O Brasil foi excluído dessa lista, enquanto países como Argentina, Colômbia e México foram incluídos por atenderem às exigências sanitárias europeias.

"Cada tipo de proteína tem um estágio diferente no que diz respeito ao uso de antibióticos", disse Rua, enfatizando que esse será um primeiro passo importante para resolver o impasse. Para ele, esse processo já representa uma “primeira vitória” no sentido de avançar nas negociações com a UE.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,8 bilhão em carnes (bovinas e carne branca) para os 27 países da União Europeia, tornando o bloco o segundo maior destino das exportações brasileiras de carne, atrás apenas da China, que importou US$ 9,8 bilhões no mesmo período. Em termos percentuais, apenas 3,6% da carne bovina do Brasil é exportada para a UE.

Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 1,091 milhão de toneladas de carne bovina, um aumento de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025. A UE ocupa o quinto lugar entre os compradores brasileiros deste ano, com 34,7 mil toneladas e US$ 299,7 milhões em compras, uma alta de 17,7% no volume em relação ao ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Nesta quarta, Rua se encontrou com a embaixadora da União Europeia no Brasil, enquanto em Bruxelas, sede do bloco europeu, o embaixador do Brasil junto à UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, se reuniu com representantes do órgão sanitário europeu para compreender melhor a sanção imposta ao Brasil.

“O Brasil é um parceiro da União Europeia e merece ser tratado como tal. Não faz sentido que sejamos tratados dessa forma, considerando a parceria que temos e os acordos bilaterais em vigor”, afirmou Rua.

Reação do governo

Na terça, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em comunicado conjunto, os Ministérios da Agricultura, do Comércio Exterior e das Relações Exteriores que buscarão reverter essa decisão.

"O Governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos", diz o texto.

Segundo as pastas, a decisão decorre do resultado da votação realizada hoje no Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, que aprovou uma atualização dessa listagem. No entanto, os Ministérios reforçaram que, no momento, as exportações brasileiras de produtos de origem animal continuam normalmente.

* O repórter viajou a convite da Abramilho

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