Brasil lidera fusões e aquisições na América Latina com R$ 300 bilhões
O mercado brasileiro de fusões e aquisições voltou a ganhar tração em 2025. No ano passado, o país registrou 1.877 transações, que movimentaram US$ 56,41 bilhões (cerca de R$ 293 bilhões, na cotação atual) segundo relatório da Aon, em parceria com a TTR Data e a Datasite, divulgado com exclusividade pela EXAME.
Os números representam uma alta de 7% no volume de operações e de 15% no valor agregado em relação a 2024, mantendo o Brasil como líder isolado em M&A na América Latina. O país foi um dos poucos mercados da região a registrar crescimento no acumulado do ano.
“Em 2025, o Brasil não apenas manteve sua liderança, mas elevou o capital mobilizado em um movimento que sinaliza uma confiança crescente na capacidade de execução do mercado local”, afirma André Nogueira, líder de M&A and Transaction Solutions da Aon no Brasil.
Segundo Nogueira, o perfil das operações também mudou: maiores, mais complexas e com mais dinheiro envolvido. Por causa disso, os erros também ficaram mais caros. Por isso, compradores e vendedores passaram a ser muito mais rigorosos. Em 2026, a tendência é de operações mais profissionais, com menos improviso e mais proteção contratual.
Os Estados Unidos lideraram os investimentos estrangeiros no Brasil, com 162 aquisições no período.
Os setores que encabeçaram a alta
No topo da lista, a venda da Odata Brasil somou R$ 10,9 bilhões e destacou o apetite global por infraestrutura de dados. O ativo, voltado a hosting, armazenamento e processamento de informações, foi adquirido por um consórcio formado por AI Infrastructure Partners, Global Infrastructure Partners (GIP) e MGX, com capital dos Estados Unidos e dos Emirados Árabes Unidos. A operação apareceu simultaneamente nos rankings de M&A e de private equity, sinalizando a centralidade do setor de data centers nas teses de investimento de 2025.
Já a transação envolvendo a Neoenergia, no valor de R$ 6,39 bilhões, marcou mais um capítulo do movimento de consolidação no setor elétrico brasileiro. A compra foi realizada pela Iberdrola, reforçando a estratégia do grupo espanhol de ampliar sua exposição a ativos de energia em mercados considerados estratégicos. O negócio dialoga com a busca por previsibilidade de receitas e escala em infraestrutura energética.
A venda de estoques, lotes e produtos imobiliários da JHSF, avaliada em R$ 5,23 bilhões, figurou como a quarta maior transação de Fusões e Aquisições no Brasil em 2025. O desempenho da JHSF reforça o peso do setor imobiliário entre as grandes transações do ano, em um mercado dominado por energia, infraestrutura digital e recursos naturais.
Fechando o grupo das maiores operações, a venda dos ativos de mineração da Equinox Gold — que inclui a mina Aurizona, a mina RDM e o Complexo Bahia — alcançou R$ 5,5 bilhões. Adquiridos pelo grupo chinês CMOC, os ativos colocaram o setor de recursos naturais entre os mais relevantes do ano em valor transacionado.
Somadas às operações da JHSF e da Braskem, esta última avaliada em cerca de R$ 20 bilhões, essas transações foram determinantes para que o Brasil mantivesse sua liderança isolada em M&A na América Latina em 2025.
O líder da América Latina
Na América Latina, foram registradas 3 mil transações, entre anunciadas e concluídas, que somaram US$ 119,79 bilhões em 2025. O número de operações cresceu 1%, enquanto o valor agregado avançou 19% na comparação anual, indicando um mercado mais seletivo, com menos negócios, mas tíquetes mais elevados.
Depois do Brasil, o Chile aparece em segundo lugar em volume, com 338 transações, embora com queda de 12% no número de operações e redução de 53% no capital mobilizado, para US$ 6,69 bilhões. O México registrou 307 transações, recuo de 17%, mas apresentou crescimento expressivo de 86% no valor, alcançando US$ 32,51 bilhões. Na sequência estão Colômbia, com 288 transações e US$ 10,03 bilhões; Argentina, com 249 transações e US$ 6,90 bilhões; e Peru, com 167 transações e US$ 4,43 bilhões.
“O mercado latino-americano enfrentou um ano desafiador, com um volume menor de transações, mas com um aumento significativo no valor agregado das operações”, afirma Pedro da Costa, Head de M&A and Transaction Solutions da Aon para a América Latina. Segundo ele, 2025 foi marcado por valuations mais racionais e maior disciplina financeira. “O fechamento dos negócios dependeu da qualidade dos ativos, da resiliência de caixa e, principalmente, dos mecanismos de proteção e mitigação de riscos.”
No recorte de transações internacionais, empresas brasileiras realizaram 58 aquisições nos Estados Unidos, somando US$ 1,53 bilhão, seguidas por operações no Chile. No sentido inverso, Estados Unidos e Reino Unido lideraram os investimentos estrangeiros no Brasil, com 162 e 33 transações, respectivamente.
As aquisições de empresas brasileiras por grupos norte-americanos cresceram 3% em 2025, enquanto as compras estrangeiras nos setores de Tecnologia e Internet recuaram 3%. Já os investimentos de fundos estrangeiros de Private Equity e Venture Capital em empresas brasileiras avançaram 18% no ano.
No mercado doméstico, o segmento de Private Equity registrou 119 transações, que totalizaram US$ 10,21 bilhões, alta de 11% em volume. Em Venture Capital, foram 367 rodadas, que movimentaram US$ 2,61 bilhões. O segmento de Asset Acquisitions somou 352 transações e US$ 13,16 bilhões, crescimento de 14% em relação a 2024.
A transação de maior destaque em 2025 foi a conclusão da aquisição da BASF Coatings pela Sherwin-Williams, avaliada em US$ 1,10 bilhão, segundo a TTR Data.
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