Brasil pode bater 300 concessões assinadas em um ano, diz sócio do Radar PPP

Por Letícia Cassiano 7 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Brasil pode bater 300 concessões assinadas em um ano, diz sócio do Radar PPP

O Brasil deve ultrapassar a marca de 300 contratos de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) assinados em um único ano, segundo avaliação de Bruno Carnelosso, sócio da Radar PPP.

“É um modelo de contratação que, na minha opinião, é vencedor”, afirmou ao EXAME Infra, videocast sobre infraestrutura da EXAME em parceria com a empresa Suporte.

O avanço reflete a expansão do modelo no país e a entrada em novos setores, além da consolidação de projetos que vêm sendo estruturados desde 2020.

De acordo com o executivo, o número de contratos vem crescendo de forma consistente nos últimos anos.

Após um período com menos de 100 projetos licitados anualmente antes de 2019, o volume avançou para patamares superiores a 150, com picos recentes acima de 200 contratos em determinados anos.

Esse movimento também aparece nos dados de mercado.

Um levantamento da Radar PPP mostra que 1.443 contratos de concessão ou PPP foram assinados entre 2014 e 2025, com aceleração relevante a partir de 2019.

Hoje, há 6.974 iniciativas mapeadas no país, distribuídas em 19 segmentos, com 339 projetos em estágio mais avançado e maior probabilidade de se converterem em contratos nos próximos meses.

Modelo vencedor

Para Carnelosso, o crescimento do número de contratos está diretamente ligado à consolidação das PPPs e concessões como um modelo eficiente de execução de projetos.

A principal vantagem, segundo ele, está na centralização das responsabilidades em um único operador privado, responsável por construir, operar e manter a infraestrutura.

Nesse formato, o setor privado assume compromissos de longo prazo e é remunerado de acordo com o desempenho.

Segundo o executivo, isso cria incentivos para maior eficiência e qualidade na entrega dos serviços, além de reduzir a fragmentação que costuma ocorrer em contratos públicos tradicionais.

“Neste modelo, o privado é remunerado por um serviço executado, e ele visa o lucro”, disse Carnelosso. “Diferentemente do setor público, o privado quer executar o projeto de uma forma bem feita para conseguir o resultado que ele espera no capital que foi investido.”

Outro ponto destacado é a capacidade do modelo de atrair investimentos ao dividir riscos e custos entre os setores público e privado.

Em concessões comuns, a remuneração vem diretamente do usuário, como no caso dos pedágios nas rodovias. Já nas PPPs, há participação do poder público por meio de contraprestações.

Essa flexibilidade tem permitido a expansão das PPPs para áreas antes pouco exploradas, como educação, saúde e iluminação pública. Segundo o executivo, à medida que novos segmentos ganham maturidade, a tendência é de aumento contínuo no número de projetos.

Expansão para novos setores

O avanço do modelo não se limita aos setores tradicionais. Nos últimos anos, áreas como sistema prisional e habitação passaram a integrar o pipeline de projetos, ainda que em menor escala quando comparadas a segmentos mais consolidados.

Segundo dados da Radar PPP, projetos de saúde somam 192 iniciativas, enquanto educação reúne 175 projetos mapeados. Apesar do potencial, esses números ainda são pequenos frente ao total de quase 7 mil iniciativas no país, o que indica espaço relevante para crescimento.

“À medida que outros segmentos forem formando mercado, vai aumentar cada vez mais a quantidade de projetos”, disse Carnelosso.

A estratégia para ampliar essa base passa pelo desenvolvimento gradual desses setores, com projetos iniciais menores e aprimoramento dos modelos ao longo do tempo.

Concessões florestais entram no radar

Dentro desse movimento de expansão, as concessões florestais surgem como uma nova frente de desenvolvimento. Embora ainda representem uma parcela pequena do total de projetos, elas vêm ganhando espaço na agenda de PPPs e concessões.

Atualmente, o segmento de meio ambiente soma 289 iniciativas, sendo 26 com maior probabilidade de avançar para contratos no curto e médio prazo. De acordo com o sócio da Radar PPP, trata-se de um mercado ainda em fase inicial, mas com potencial de crescimento relevante.

As concessões florestais envolvem dois modelos principais: o manejo sustentável, que permite a exploração controlada de recursos como madeira, e a restauração de áreas degradadas, com geração de receita por meio de créditos de carbono.

“A gente tá num mercado ainda muito embrionário que precisamos desenvolver”, afirmou o executivo. Segundo Carnelosso, o avanço desse segmento depende da atração de novos players e de investidores por meio de projetos melhor estruturados.

Crescimento sem sinal de saturação

Mesmo com a forte expansão recente, a avaliação é que o mercado brasileiro ainda está longe de atingir um limite. Para Carnelosso, não há indicativos de saturação no curto prazo, já que a própria dinâmica dos contratos gera novas oportunidades ao longo do tempo.

Além disso, o crescimento do modelo tende a ser impulsionado pela diversificação setorial e pela necessidade de investimentos em infraestrutura no país. A combinação desses fatores sustenta a expectativa de aumento contínuo no número de projetos.

“Eu não acho que o mercado vai chegar a um ponto de saturação. Acredito que, à medida que os anos forem passando, teremos infraestruturas melhores, e conseguiremos fazer novas licitações abarcando mais coisas para dentro daquele projeto”, disse o executivo.

Outro fator relevante é a evolução da qualidade dos projetos. Segundo o executivo, a estruturação tem melhorado nos últimos anos, com melhor alocação de riscos e maior segurança para investidores, o que contribui para ampliar o interesse do setor privado.

EXAME Infra

O EXAME Infra é o podcast da EXAME em parceria com a empresa Suporte, especializada em soluções para obras e projetos de infraestrutura. O programa tem episódios quinzenais disponíveis no YouTube da EXAME.

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