Brasil vive alerta amarelo por escassez de engenheiros, diz diretor do Sinicon

Por André Martins 13 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Brasil vive alerta amarelo por escassez de engenheiros, diz diretor do Sinicon

O Brasil vive um “alerta amarelo” na formação de engenheiros e pode comprometer sua capacidade de executar obras de infraestrutura nos próximos anos, afirma Humberto Rangel, diretor executivo do Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada).

“Não é aceitável encarar com naturalidade uma tendência de declínio em uma área estratégica para o país”, disse em entrevista ao Exame Infra, programa da EXAME em parceria com a empresa Suporte.

Segundo Rangel, o país forma atualmente cerca de 40 mil engenheiros por ano, enquanto economias como a China chegam a 500 mil formados anualmente.

O executivo avalia que a discussão ainda ocupa pouco espaço no debate público e no Congresso Nacional. Para ele, a engenharia não pode ser tratada como uma área secundária em um país das dimensões do Brasil, que vive um pico de investimentos em infraestrutura.

O alerta ocorre em meio ao aumento de concessões e parcerias público-privadas. Diversos atores do setor afirmam que a carteira de projetos exige engenheiros civis, elétricos e especialistas em planejamento e gestão de obras, profissionais hoje escassos no mercado.

“Um país da dimensão do Brasil não pode abrir mão da sua engenharia”, afirma. Ele compara a área a setores como medicina e educação, considerados estratégicos para a soberania e o desenvolvimento econômico.

Articulação com governo e empresas

Segundo Rangel, a Sinicon participa de discussões com entidades como a Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor) e a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) para estruturar um diagnóstico mais detalhado e propor soluções.

O diretor defende uma articulação que envolva o Ministério da Educação, universidades, empresas, sindicatos e entidades de classe. Ele cita reuniões recentes com dirigentes de cursos de engenharia, como no IESB, em Brasília, para discutir a queda no interesse pela profissão.

A proposta, segundo ele, passa por um “pacto pela engenharia”, nos moldes de iniciativas já debatidas para infraestrutura. O objetivo é reposicionar a carreira, ampliar a formação técnica e alinhar a oferta de profissionais à carteira de investimentos prevista para os próximos anos.

“É um trabalho político no sentido institucional, de conscientização”, afirma. A meta, segundo Rangel, é levar o tema ao centro das discussões econômicas. “É um sinal de alerta.”

Hoje, parte das empresas investe na formação interna de quadros. Ainda assim, o executivo considera que a resposta isolada do setor privado não será suficiente.

“Nenhum ator resolve isso sozinho”, afirma.

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