Brasileira lança rival do OnlyFans com ajuda de IA — e site estreia com vazamento de dados
A streamer brasileira Mayumi, criadora de conteúdo da organização de e-sports Team Liquid, entrou nesta semana no centro de uma polêmica envolvendo tecnologia, monetização de conteúdo e segurança digital. O motivo foi o lançamento da Kippu, uma plataforma criada para vender conteúdo exclusivo diretamente aos fãs, e que acabou enfrentando críticas públicas após desenvolvedores apontarem falhas graves de segurança poucas horas depois de ir ao ar.
No anúncio da plataforma, Mayumi apresentou a Kippu como uma alternativa a serviços populares como OnlyFans e Privacy, defendendo que o novo produto teria uma tecnologia mais eficiente e um modelo mais vantajoso para criadores de conteúdo.
Segundo a influenciadora, a plataforma teria sido construída por engenheiros e designers especializados e prometia resolver limitações técnicas e operacionais que, segundo ela, ainda afetam serviços consolidados do setor. Mas o lançamento rapidamente virou alvo de críticas dentro da própria comunidade de tecnologia.
Pouco depois da liberação da plataforma, desenvolvedores começaram a analisar o funcionamento do site e apontaram vulnerabilidades consideradas básicas. O principal problema era a ausência de autenticação adequada nas requisições ao backend, o que permitia acessar dados do sistema sem qualquer tipo de proteção.
Na prática, isso significava que uma simples requisição HTTP para a API da plataforma poderia retornar informações sensíveis de usuários, incluindo nomes, e-mails, números de telefone e endereços cadastrados no sistema.
Outras falhas também foram relatadas. Programadores afirmaram ter conseguido listar tabelas inteiras do banco de dados, com registros ligados a pagamentos via Stripe, tokens de notificações, seguidores e publicações dentro da plataforma.
Além da exposição de dados, usuários também relataram que era possível baixar conteúdos que deveriam estar protegidos por paywall sem realizar pagamento, um problema crítico para um serviço cujo principal objetivo é monetizar conteúdo exclusivo.
A situação ganhou rapidamente repercussão nas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter), onde desenvolvedores passaram a comentar o caso. Em tom irônico, alguns usuários passaram a se referir ao projeto como “Vulnerabilidade as a Service”, uma referência à expressão Software as a Service.
Parte das críticas também se concentrou na comparação feita pela própria Mayumi no anúncio da plataforma. Ao afirmar que concorrentes tinham tecnologia limitada, a influenciadora acabou chamando atenção para o contraste entre o discurso e os problemas técnicos encontrados no lançamento.
Especialistas em segurança apontaram que plataformas de assinatura de conteúdo costumam investir pesadamente em infraestrutura de proteção, justamente porque lidam com dados pessoais e transações financeiras sensíveis, além de serem alvo frequente de tentativas de invasão.
Lançamento adiado
Diante da repercussão negativa, a equipe responsável pela Kippu anunciou uma série de medidas emergenciais. O lançamento oficial da plataforma foi adiado, todos os usuários que chegaram a pagar por acesso foram reembolsados, e os dados cadastrados no sistema foram apagados como forma de reduzir o risco de novos vazamentos.
Segundo a equipe, um comunicado mais detalhado deverá ser publicado posteriormente explicando os problemas encontrados e as decisões tomadas após o lançamento.
O episódio também reacendeu uma discussão mais ampla sobre a tendência de criadores de conteúdo lançarem produtos tecnológicos próprios, muitas vezes tentando replicar plataformas já consolidadas no mercado.
Nos últimos anos, influenciadores têm buscado criar aplicativos, marketplaces e serviços digitais para monetizar diretamente suas comunidades. O desafio, segundo especialistas, é que construir uma plataforma tecnológica envolve níveis de segurança, infraestrutura e testes muito mais complexos do que simplesmente desenvolver uma interface funcional.
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