Brasileiro cria ferramenta que cruza dados públicos para mapear risco financeiro de políticos
Um sistema desenvolvido por um programador brasileiro passou a integrar diferentes bases de dados oficiais para identificar padrões de risco envolvendo agentes públicos. A partir do CPF de políticos e servidores, a ferramenta organiza informações dispersas sobre transferências federais, contratos administrativos e vínculos empresariais.
O responsável pelo projeto é Bruno César, que se apresenta como integrante do movimento br/acc, vertente nacional ligada ao accelerationism, corrente que defende o uso intensivo de tecnologia para acelerar transformações institucionais. A demonstração pública ocorreu na rede social X, onde ele exibiu uma interface baseada em grafos, diagramas que mostram relações entre pessoas jurídicas, físicas e fluxos de recursos.
Entre os casos apontados pelo sistema estão situações em que recursos de emendas parlamentares foram destinados a municípios cujos contratos acabaram nas mãos de empresas associadas a familiares de congressistas. O cruzamento também destacou inconsistências envolvendo possíveis funcionários fantasmas e repasses federais a instituições de ensino com indícios de irregularidade nos cadastros.
A ferramenta opera exclusivamente com dados abertos disponibilizados por órgãos como Portal da Transparência, Tribunal de Contas da União (TCU) e bases públicas da Receita Federal. O diferencial está na consolidação automatizada dessas informações, que tradicionalmente permanecem fragmentadas em diferentes sistemas.
Segundo o desenvolvedor, os achados financeiros somam dezenas de milhões de reais em exposições consideradas de risco elevado pelo modelo estatístico adotado. Para evitar questionamentos jurídicos, o projeto deixou de usar termos como “corrupção” e “suspeita” e passou a adotar pontuações percentuais de risco, método comum em ferramentas de compliance, conjunto de práticas de integridade corporativa.
A intenção é submeter o código à revisão jurídica antes de torná-lo open source, modelo de software com código aberto. A prioridade, segundo Bruno, será facilitar o acesso de jornalistas investigativos, organizações da sociedade civil e órgãos de controle.
Dados públicos e fiscalização tecnológica
O projeto se inspira no conceito de effective accelerationism, que propõe aplicar soluções tecnológicas para enfrentar gargalos institucionais. No contexto brasileiro, a abordagem dialoga com a ampliação das políticas de transparência iniciadas após a Lei de Acesso à Informação, de 2011.
Embora as bases utilizadas já estejam disponíveis ao público, especialistas apontam que a baixa integração entre sistemas limita análises mais amplas. Ao estruturar essas informações em redes, a ferramenta amplia a capacidade de identificação de padrões.
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