Brasileiro paga juros de 34% ao mês: média bate recorde histórico

Por Rebecca Crepaldi 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Brasileiro paga juros de 34% ao mês: média bate recorde histórico

O custo do crédito voltou a subir no Brasil em abril e já pressiona ainda mais famílias e empresas. A taxa média de juros das concessões bancárias chegou a 33,8% ao ano no mês, alta de 0,6 ponto percentual em relação a março e de 2,4 pontos em 12 meses, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) no relatório de 'Estatísticas Monetárias e de Crédito'. O número é um recorde na série histórica, iniciada em março de 2011.

O principal peso veio novamente das linhas mais caras para pessoas físicas. No crédito livre às famílias — modalidade em que os bancos têm liberdade para definir taxas — os juros médios atingiram 63% ao ano em abril, avanço de 1,5 ponto percentual no mês e de 5 pontos em 12 meses. Entre os destaques, o crédito pessoal não consignado teve aumento de 8 pontos percentuais, enquanto o cartão de crédito rotativo avançou 3,7 pontos.

Já no crédito livre para empresas, a taxa média subiu para 25,3% ao ano, alta de 0,5 ponto percentual no mês e de 1,1 ponto em um ano. Segundo o BC, pesou principalmente o aumento das taxas do cheque especial para empresas, que avançaram 14,9 pontos percentuais.

O spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados dos clientes — também aumentou e alcançou 22,6 pontos percentuais em abril, avanço de 0,7 ponto no mês e de 2,6 pontos em 12 meses. Enquanto isso, o Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de todo o crédito do Sistema Financeiro Nacional, chegou a 24,3% ao ano, outro recorde.

Inadimplência também atinge pico

A inadimplência também continuou em trajetória de alta. O percentual de atrasos acima de 90 dias no crédito total do Sistema Financeiro Nacional atingiu 4,4% em abril, avanço de 0,1 ponto percentual no mês e de 0,9 ponto em 12 meses. Entre as famílias, a taxa chegou a 5,4%, enquanto nas empresas ficou em 2,8%.

No crédito com recursos livres, onde estão modalidades como empréstimos pessoais e cartão de crédito, a inadimplência subiu para 5,8% da carteira. Entre pessoas físicas, o índice alcançou 7,2%, enquanto nas empresas ficou em 3,6%.

Estoque seguiu crescendo

Apesar do cenário mais apertado, o estoque total de crédito no país seguiu crescendo. O saldo das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,2 trilhões em abril, alta de 0,3% no mês. O avanço foi puxado principalmente pelas famílias, cujo estoque subiu 0,6%, para R$ 4,6 trilhões. Já as operações com empresas recuaram 0,1%, totalizando R$ 2,7 trilhões.

Entre as famílias, cresceram principalmente as operações de cartão de crédito, financiamento de veículos e crédito consignado para trabalhadores do setor privado. No acumulado de 12 meses, o crédito livre para pessoas físicas avançou 11,7%.

O endividamento das famílias brasileiras ficou em 49,8% da renda em março, praticamente estável no mês, mas 0,8 ponto percentual acima do registrado um ano antes. Já o comprometimento de renda — parcela do orçamento usada para pagar dívidas — ficou em 29,3%, com alta de 1,3 ponto percentual em 12 meses.

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