Brasília consolida liderança em imóveis de luxo e desbanca São Paulo

Por Clara Assunção 12 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Brasília consolida liderança em imóveis de luxo e desbanca São Paulo

A nova edição do Índice de Demanda Imobiliária (IDI-Brasil), divulgada nesta terça-feira, 12, mostra uma mudança importante no mapa da atratividade imobiliária do país. Se no fim de 2025 o estudo já indicava uma pulverização do mercado para além do eixo Rio-São Paulo, os dados do primeiro trimestre de 2026 consolidam um novo movimento com o avanço do Centro-Oeste no segmento de alto padrão e o crescimento da demanda em cidades médias fora dos grandes polos tradicionais.

O levantamento, realizado pelo Ecossistema Sienge, CV CRM e Grupo Prospecta em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), aponta que Brasília manteve a liderança nacional no alto padrão pelo segundo trimestre consecutivo, enquanto Goiânia avançou para a terceira posição do ranking. Entre as duas capitais aparece São Paulo, agora na vice-liderança.

O resultado reforça o protagonismo do Centro-Oeste no mercado de imóveis voltados para famílias com renda acima de R$ 24 mil mensais, de acordo com o estudo.

Alto padrão | Renda familiar superior a R$ 24 mil e imovéis a partir de R$ 811 mil

Nesse segmento, Brasília permanece como a líder absoluta pelo segundo trimestre consecutivo. A capital federal é seguida por São Paulo, que ocupa a segunda posição, desbancando Fortaleza, que caiu para a 6ª colocação.

O estudo aponta que houve queda no indicador de Demanda Direta da capital cearense e no ritmo de venda dos imóveis já disponíveis no mercado. "Fortaleza, porém, mantém um dos indicadores de atratividade de lançamentos com menos de 12 meses mais altos do ranking, sinalizando que o mercado de novos empreendimentos segue aquecido", diz o IDI-Brasil.

Já Goiânia, que no 4° trimestre do ano passado estava em quarto lugar, avançou para o terceiro, colocando o Centro-Oeste na liderança pelo centro da demanda de luxo, sustentada pela forte velocidade de absorção de lançamentos e pela alta procura ativa por imóveis, segundo o IDI-Brasil.

"Brasília é impulsionada pela estabilidade da renda do funcionalismo público, enquanto Goiânia vem ganhando força pelo dinamismo econômico crescente — inclusive, esse foi um dos principais fatores que puxaram o resultado no IDI", afirmou Gabriela Torres, gerente executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge.

Para a executiva, o movimento mostra uma mudança estrutural no comportamento do mercado. "A leitura de onde a demanda de fato está se consolidando vai além de acompanhar tendências. Ela traz clareza sobre onde as pessoas realmente estão buscando imóveis", afirma.

No topo das 10 maiores também aparece, pela primeira vez, a cidade de São Luís (MA), que avançou da 26º posição para o 9º lugar, impulsionada pela aceleração no ritmo de venda dos imóveis já disponíveis no mercado.

"O levantamento também reforça uma demanda menos concentrada no eixo Sul-Sudeste, com destaque recorrente para Fortaleza e para cidades como Sorocaba, Ribeirão Preto e Porto Belo, especialmente no médio e alto padrão", disse Torresa.

Ranking do alto padrão no 1° trimestre de 2026:

Padrão médio | Renda familiar de R$ 12 mil a R$ 24 mil e imovéis entre R$ 575 mil e R$ 811 mil

Além da ascensão do Centro-Oeste, o novo IDI também evidencia um mercado mais descentralizado, com cidades médias ganhando espaço entre os municípios mais atrativos do país.

No segmento de médio padrão, voltado para famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 24 mil, São Paulo, Curitiba, Goiânia e Brasília mantiveram as quatro primeiras posições pelo segundo trimestre consecutivo. Mas as principais mudanças ocorreram logo atrás, com o avanço de cidades fora dos grandes eixos metropolitanos.

Maringá (PR) subiu dez posições e alcançou o quinto lugar no ranking, enquanto Itajaí (SC) avançou da 13ª para a sexta posição. Segundo o estudo, ambas atingiram nível máximo no indicador de demanda direta, que mede a busca ativa por imóveis.

O movimento reforça uma tendência que já aparecia no fechamento de 2025, quando cidades como Belém e Salvador ganharam destaque no índice. Agora, porém, o crescimento deixa de se concentrar apenas em capitais regionais e passa a atingir também municípios médios com forte dinamismo econômico e mercado imobiliário mais aquecido.

De acordo com a gerente executiva do Sienge, o avanço de cidades não capitais no ranking do IDI, especialmente no Sul e Sudeste, reforça justamente essa mudança no comportamento da demanda.

"Esse movimento reflete uma busca crescente por cidades com melhor qualidade de vida, dinamismo econômico e preços mais competitivos em comparação às grandes capitais. Além disso, muitas metrópoles ainda enfrentam déficit habitacional relevante e desafios urbanos que acabam impulsionando parte dessa migração para polos regionais mais estruturados", disse Torres.

A cidade de Belo Horizonte também registrou avanço importante, saindo da 11ª para a 7ª posição no médio padrão, impulsionada pelo aumento das vendas de lançamentos recentes e pela maior procura ativa por empreendimentos residenciais.

Segundo José Carlos Martins, presidente do Conselho Consultivo da CBIC, os resultados do IDI ajudam o setor a identificar onde a demanda está reprimida e onde há espaço para novos empreendimentos. "Ele nos mostra qual é a melhor cidade para lançar e onde há mais oportunidade", afirma.

Ranking no padrão médio no 1° trimestre de 2026:

Padrão econômico | Renda familiar de R$ 2 mil a R$ 12 mil e imóveis entre R$ 115 mil e R$ 575 mil

O IDI-Brasil ainda aponta maior estabilidade no segmento econômico, voltado para famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 12 mil. Pelo terceiro trimestre consecutivo, Fortaleza permanece na liderança nacional, seguida por São Paulo, Curitiba e Goiânia, que também ocupam as mesmas posições desde outubro de 2025.

A capital federal subiu da 7ª para a 5ª posição, registrando o maior crescimento no indicador de busca ativa, o que significa procura direta, entre todas as cidades do ranking mno trimestre encerrado em março. Duas cidades entraram no grupo das dez mais atrativas, nesse caso, Aracaju, que ficou em 7º lugar, impulsionada pela procura direta no topo da escala, e Belo Horizonte (8º lugar), devido à aceleração no ritmo de venda de lançamentos recentes.

Por outro lado, fora do topo, Maceió e Sorocaba, que ocupavam o 6º e 9º lugares no trimestre anterior, cederam espaço e agora ocupam a 11ª e 19ª posições, respectivamente.

Gabriela Torres avalia que o início de 2026 mostra um mercado mais sensível às mudanças econômicas e ao comportamento da demanda. "O mercado tem respondido rapidamente a um ambiente mais dinâmico e sensível, marcado por fatores como eleições e incertezas globais, e isso se reflete diretamente nas cidades que passam a ganhar protagonismo", diz.

Ranking no padrão econômico no 1° trimestre de 2026:

Entenda a metodologia usada

A metodologia do IDI Brasil avalia a atratividade de cidades brasileiras para novos projetos imobiliários, considerando seis indicadores principais: demanda, dinâmica econômica, oferta de terceiros, demanda direta, atratividade para antigos lançamentos e atratividade para novos lançamentos.

Cada indicador tem um peso específico para garantir um cálculo preciso, que resulta em um ranking de atratividade de 0,000 a 1,000, com as cidades mais atrativas obtendo um score mais alto.

O modelo fornece uma visão estratégica para investidores e empresas do setor, permitindo decisões mais assertivas e baseadas em dados reais.

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