Brasília desbanca São Paulo e é a cidade mais atrativa para o alto padrão
O quarto trimestre de 2025 marcou uma inflexão no mercado imobiliário brasileiro. Brasília assumiu a liderança no alto padrão, Fortaleza consolidou a primeira posição no segmento econômico e Goiânia manteve presença constante entre os primeiros colocados ao longo de todo o ano. O movimento confirma um ciclo menos concentrado e mais competitivo entre as regiões.
Os dados são da nova rodada do Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil), divulgada nesta terça-feira,24. Ao longo das quatro medições de 2025, o indicador mostrou uma mudança gradual no eixo de protagonismo do setor.
O ano começou com Curitiba na liderança do padrão econômico, Goiânia à frente no médio e São Paulo no alto padrão. No segundo trimestre, cidades como Sorocaba e Belém ganharam tração. No terceiro, Fortaleza assumiu o topo. O fechamento do ano consolidou o redesenho regional, com maior alternância nas posições.
Para Gabriela Torres, gerente de Inteligência Estratégica do Ecossistema Sienge, o comportamento do índice revela um mercado mais dinâmico. Segundo ela, os rankings ficaram mais móveis ao longo do ano, indicando que a demanda reagiu de forma mais sensível a fatores econômicos, oferta e perfil de lançamentos
“Os rankings ficaram mais móveis ao longo do ano, o que mostra que a demanda está reagindo a fatores econômicos, oferta e perfil de lançamentos de forma mais sensível. Isso exige acompanhamento constante dos dados e decisões baseadas em evidências atualizadas. Em um cenário mais distribuído, quem lê os sinais com rapidez e profundidade sai na frente”, explica.
Alto padrão | Renda familiar superior a R$ 24 mil
Fora do topo, as movimentações foram ainda mais expressivas. São Luís (MA) registrou o maior ganho de posições entre as capitais no segmento de alto padrão: saltou da 37ª para a 26ª colocação ao longo do ano. O avanço foi puxado principalmente pelo aumento no indicador de atratividade de novos lançamentos — sinal de que incorporadoras passaram a olhar a capital maranhense com mais atenção.
Campinas (SP) também consolidou uma trajetória de ascensão. O município encerrou o ano no Top 15, acumulando ganho de 16 posições em 2025. O desempenho está associado à melhora consistente tanto na atratividade de lançamentos quanto na demanda direta, em um movimento que reforça o papel das cidades médias no entorno de grandes capitais.
O avanço de Campinas e São Luís mostra que o dinamismo do alto padrão já não se restringe às metrópoles tradicionais. Há um reposicionamento de oferta e demanda em curso.
Ranking do padrão alto no quarto trimestre de 2025:
1. Brasília (DF): 0,872
2. Fortaleza (CE): 0,836
3. São Paulo (SP): 0,825
4. Goiânia (GO): 0,753
5. Florianópolis (SC): 0,716
6. Rio de Janeiro (RJ): 0,678
7. Curitiba (PR): 0,672
8. Porto Belo (SC): 0,665
9. Belo Horizonte (MG): 0,655
10. Salvador (BA): 0,642
Ranking ao longo do ano:
Padrão médio | Renda familiar de R$ 12 mil a R$ 24 mil
No médio padrão, o ano foi marcado por maior estabilidade. São Paulo e Goiânia permaneceram no Top 3 durante todo 2025, com desempenho consistente nos principais indicadores do segmento.
A principal mudança veio de Curitiba (PR). A capital paranaense começou o ano na 5ª posição e encerrou em 2º lugar, superando Goiânia. O movimento foi sustentado pelo aumento no indicador de demanda direta, refletindo maior busca por imóveis desse perfil na cidade.
Fortaleza (CE) e Sorocaba (SP) também ganharam terreno dentro do ranking, avançando quatro e sete posições, respectivamente. Em ambos os casos, o crescimento decorre da combinação entre maior demanda e melhora na atratividade de novos projetos.
São Luís voltou a aparecer como destaque: no médio padrão, a capital maranhense saltou da 47ª para a 24ª colocação. Assim como no alto padrão, o avanço foi impulsionado pelo aumento na atratividade de lançamentos — um indicativo de que a cidade entrou de vez no radar das incorporadoras.
Ranking no padrão médio no quarto trimestre de 2025:
1. São Paulo (SP): 0,804
2. Curitiba (PR): 0,800
3. Goiânia (GO): 0,775
4. Brasília (DF): 0,732
5. Fortaleza (CE): 0,704
6. Sorocaba (SP): 0,687
7. Rio de Janeiro (RJ): 0,680
8. Salvador (BA): 0,662
9. Florianópolis (SC): 0,658
10. Recife (PE): 0,656
Ranking ao longo do ano:
Padrão econômico | Renda familiar de R$ 2 mil a R$ 12 mil
No segmento econômico, o topo do ranking se manteve mais estável. Fortaleza, São Paulo e Curitiba se alternaram nas três primeiras posições ao longo do ano. Goiânia, que iniciou 2025 em segundo lugar, caiu para a quarta posição no segundo trimestre e permaneceu nesse patamar até dezembro.
Brasília registrou a maior movimentação dentro do Top 10, subindo da 10ª para a 7ª posição. O ganho está ligado principalmente ao aumento nos indicadores de oferta de terceiros e atratividade de lançamentos — dois fatores que ampliam o giro do estoque nesse perfil de produto.
Fora do grupo das dez primeiras, São Luís novamente liderou os avanços entre as capitais, com alta de sete posições, passando da 27ª para a 20ª colocação. Florianópolis seguiu trajetória semelhante, avançando seis posições, da 19ª para a 13ª, puxada pelo aumento na demanda direta e na atratividade de lançamentos.
Ranking no padrão econômico no quarto trimestre de 2025:
1. Fortaleza (CE): 0,879
2. São Paulo (SP): 0,850
3. Curitiba (PR): 0,846
4. Goiânia (GO): 0,776
5. Recife (PE): 0,732
6. Maceió (AL): 0,701
7. Brasília (DF): 0,695
8. Salvador (BA): 0,687
9. Sorocaba (SP): 0,676
10. Rio de Janeiro (RJ): 0,655
Ranking ao longo do ano:
Entenda a metodologia usada
A metodologia do IDI Brasil avalia a atratividade de cidades brasileiras para novos projetos imobiliários, considerando seis indicadores principais: demanda, dinâmica econômica, oferta de terceiros, demanda direta, atratividade para antigos lançamentos e atratividade para novos lançamentos. Cada indicador tem um peso específico para garantir um cálculo preciso, que resulta em um ranking de atratividade de 0,000 a 1,000, com as cidades mais atrativas obtendo um score mais alto.
O modelo fornece uma visão estratégica para investidores e empresas do setor, permitindo decisões mais assertivas e baseadas em dados reais.
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