BTG inclui Ambev em carteira de ações de julho e traz Allos de volta

Por Clara Assunção 1 de Julho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
BTG inclui Ambev em carteira de ações de julho e traz Allos de volta

Após quatro meses consecutivos de queda do Ibovespa e de uma mudança no humor dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) adotou uma postura mais conservadora em sua carteira de ações recomendadas para julho. De acordo com relatório, divulgado nesta quarta-feira, 1°, a principal novidade foi a entrada da Ambev (ABEV3), enquanto Localiza (RENT3) e Equatorial (EQTL3) deixaram a seleção mensal do banco.

A mudança, segundo os estrategistas do banco, não reflete uma piora na qualidade das empresas brasileiras, mas sim um ambiente macroeconômico que ficou mais desafiador. "As ações brasileiras perderam espaço perante os investidores estrangeiros", resume o relatório.

A avaliação é de que a inflação continua acima da meta, restringindo o espaço para cortes na taxa básica de juros, a Selic, enquanto a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos reduz ainda mais a capacidade do Banco Central brasileiro de flexibilizar a política monetária local.

O banco também chama atenção para a expansão dos gastos públicos às vésperas das eleições presidenciais de outubro, superior a R$ 200 bilhões entre medidas fiscais e parafiscais, e que elevou as taxas reais de longo prazo para 7,9% no fim de junho, aumentando a competição da renda fixa com a bolsa.

"Embora as ações brasileiras pareçam baratas, um cenário mais incerto pela frente e a ausência de claros catalisadores de curto prazo nos levaram a tornar a carteira 10SIM um pouco mais defensiva", afirmam os estrategistas.

Brasil perde espaço nas carteiras globais, diz BTG

Na avaliação do BTG, a deterioração das expectativas para inflação, a redução da perspectiva de cortes de juros e o aumento das incertezas políticas fizeram o Brasil perder espaço dentro das carteiras globais. Como consequência, a alocação dos fundos de mercados emergentes no país caiu de 7,6% para 5,8%, o menor nível desde o fim de 2024.

Apesar desse movimento, o banco afirma que o mercado acionário continua negociando a múltiplos historicamente baixos. Excluindo Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), o Ibovespa negocia a 9,7 vezes lucro projetado para os próximos 12 meses, um desvio-padrão abaixo da média histórica, segundo o banco.

O problema, de acordo com o relatório, é que esse desconto perdeu parte da atratividade quando comparado aos juros reais brasileiros. "Quando comparamos com as taxas reais de longo prazo do Brasil, agora em 7,9%, a oportunidade de investimento parece menos evidente". O prêmio de risco das ações caiu para 2,4%, abaixo da média histórica de 3,2%, segundo o BTG.

Entrada da Ambev e retorno de Allos

No lugar delas entrou a Ambev, ausente da seleção havia um longo período. Para o BTG, a companhia reúne características defensivas importantes em um ambiente de maior incerteza: caixa líquido, geração consistente de fluxo de caixa, liquidez elevada e dividend yield estimado em 7,5%.

Outra mudança foi o retorno da Allos à carteira. O BTG afirma que a administradora de shopping centers combina receitas previsíveis, proteção contra a inflação e um dividend yield próximo de 13%, além de acreditar que o mercado ainda não precificou totalmente sua nova política de distribuição de dividendos.

No setor imobiliário, a exposição à Cury foi elevada de 5% para 10%. O banco vê a companhia como uma das principais beneficiadas pelas mudanças recentes no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que ampliaram o mercado potencial da habitação popular. A expectativa é de crescimento de cerca de 35% no lucro por ação em 2026, combinado a um dividend yield estimado em 8%.

Petrobras permanece na carteira

Mesmo com o arrefecimento das tensões entre Estados Unidos e Irã, que selaram acordo de paz em junho, a Petrobras (PETR4) permaneceu na carteira. O BTG afirma que a estatal continua funcionando como um hedge para eventuais novos episódios de instabilidade geopolítica, além de oferecer dividend yield estimado em cerca de 11% mesmo em um cenário de petróleo a US$ 70 por barril.

No caso da Totvs, o banco avalia que a queda de quase 40% das ações desde janeiro, impulsionada pelos receios envolvendo inteligência artificial no setor de software, abriu uma oportunidade de compra, enquanto Embraer segue apoiada pelo backlog recorde de US$ 32 bilhões e pela expectativa de novos pedidos no segundo semestre.

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