BTG substitui Prio por Petrobras e inclui Embraer nas recomendações de abril
O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) realizou novos ajustes na carteira de ações recomendadas do Ibovespa, a 10SIM, para abril de 2026, em um contexto de maior volatilidade nos mercados globais após a eclosão da guerra no Irã, há 33 dias.
Apesar do ambiente mais adverso, o banco destaca que o mercado brasileiro mostrou resiliência ao longo de março, sustentado pela continuidade do fluxo de capital estrangeiro.
No mês passado, o Ibovespa recuou 0,7% em reais, interrompendo a sequência de valorização . Ainda assim, o desempenho foi considerado relativamente sólido diante da aversão ao risco global.
Os investidores estrangeiros aportaram cerca de R$ 9 bilhões na bolsa em março, elevando o total de entradas no ano para R$ 51 bilhões, mesmo com saídas moderadas de fundos globais de mercados emergentes.
Diante desse cenário, a estratégia da carteira de ações recomendadas do Ibovespa foi mantida pelo BTG, com ajustes pontuais, de acordo com o relatório divulgado nesta quarta-feira, 1º.
As principais mudanças foram a entrada de Petrobras (PETR4), Embraer (EMBJ3) e Cury (CURY3), substituindo Prio (PRIO3), Aura Minerals (AURA33) e Stone (STOC34). Além disso, a participação da Allos foi reduzida de 10% para 5%, embora a empresa tenha sido mantida no portfólio.
A carteira segue concentrada em três grandes pilares: financeiras, com Itaú Unibanco e Nubank somando 20%; energia, com Axia Energia e Eneva com outros 20%; e empresas de fluxo de caixa de longa duração, como Localiza e Motiva, que somam 25%.
BTG aumenta exposição ao petróleo
Entre os ajustes táticos, o banco aumentou a exposição ao setor de petróleo e gás de 10% para 15%, com o retorno da Petrobras à carteira.
A avaliação é de que a estatal apresenta uma relação risco-retorno mais equilibrada em cenários de queda do petróleo, especialmente em meio às incertezas geopolíticas. Em um cenário com o barril a US$ 80, o BTG estima rendimento de fluxo de caixa livre de 9% e dividend yield de 8%.
Outra mudança relevante foi a volta da Embraer, após queda de 17% em março, movimento considerado exagerado pelo banco diante de uma carteira de pedidos robusta e perspectivas positivas de médio prazo.
"Com a Embraer sendo negociada a 10x EV/EBITDA de 2026, a relação risco-recompensa parece muito assimétrica para ser ignorada", afirma o banco no documento.
Já a inclusão da Cury marca a retomada da exposição a construtoras de baixa renda, apoiada pelo fortalecimento do programa habitacional e pela expectativa de crescimento de lucros.
"Embora reconheçamos que a avaliação já não é uma pechincha com um P/E de 8x para 2026E, continuamos a considerar a empresa como uma aposta de alta qualidade (forte crescimento dos lucros + dividendos atraentes), oferecendo resiliência num cenário macroeconômico mais desafiador", diz o BTG.
Bolsa continua 'barata' para os estrangeiros
O relatório também destaca que, após a correção recente, a bolsa brasileira apresenta avaliações mais atrativas. O Ibovespa é negociado a 10,5 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, excluindo Petrobras e Vale, o que representa desconto em relação à média histórica.
Para investidores estrangeiros, com custo de capital mais baixo, o mercado brasileiro segue particularmente atrativo.
Mesmo diante da volatilidade global e da cautela dos investidores locais, que seguem retirando recursos de fundos de ações, o BTG avalia que o fluxo estrangeiro deve continuar sustentando o mercado. A expectativa é de que, caso a rotação global para fora dos Estados Unidos persista, o Brasil siga como um dos principais destinos desses recursos.
Carteira 10SIM do BTG Pactual em abril de 2026:
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