BYD: Petróleo impulsiona exportações, mas vendas caem no mercado chinês
As vendas internacionais da BYD ganharam força em março, impulsionadas pela alta dos preços do petróleo associada à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Mas a montadora chinesa segue enfrentando dificuldades para recuperar o ritmo no mercado doméstico.
As exportações e da companhia fora da China cresceram 65% no mês, refletindo o aumento da demanda por veículos elétricos em meio à valorização dos combustíveis. O desempenho foi suficiente para a BYD retomar a liderança sobre a Geely Automobile Holdings, que havia superado a rival nos dois primeiros meses deste ano.
Apesar disso, o resultado consolidado ainda mostra perda de tração. As entregas totais caíram cerca de 20% em março, prolongando a sequência negativa iniciada no segundo semestre do ano passado. Segundo cálculos da Reuters baseados em dados divulgados pela companhia, as vendas somaram 300.222 veículos no mês, queda de 20,5% na comparação anual, mas menor que o recuo de 41,1% observado em fevereiro. No acumulado do primeiro trimestre, a retração chega a 30%.
A desaceleração ocorre em meio ao aumento da concorrência dentro do mercado chinês, com avanço de rivais como a própria Geely e a Leapmotor. O ambiente competitivo levou a BYD a lançar sua primeira grande atualização de baterias em seis anos, com uma nova linha de veículos acima de 150 mil yuans (US$ 21.721), faixa considerada estratégica no segmento local de veículos elétricos. Ainda assim, há dúvidas sobre a capacidade da nova linha de sustentar a recuperação das vendas, diante da preferência dos consumidores por modelos mais baratos após a redução de subsídios ao setor.
Na semana passada, a empresa reportou queda maior que a esperada nos lucros do quarto trimestre. Em 2026, a empresa registrou sua primeira retração anual de resultados em quatro anos.
Mercado externo sustenta estratégia de crescimento
Diante da desaceleração na China, a expansão internacional segue como principal vetor de crescimento da BYD. As vendas fora do país somaram 120.083 unidades em março (segundo cálculo da Reuters), o maior nível em três meses. O volume acumulado no primeiro trimestre atingiu 320.673 veículos, equivalente a 45,8% do total comercializado pela montadora no período.
Showrooms movimentados em países da Ásia já indicavam uma melhora da demanda externa ao longo de março, impulsionada pela alta dos combustíveis. Ainda assim, o efeito pode depender da duração do choque energético global e de seus impactos sobre o consumo.
A estratégia internacional também passa pela expansão da capacidade produtiva fora da China, com novas fábricas previstas na Hungria, Tailândia e no Brasil. Segundo avaliação do analista sênior da Omdia, Chris Liu, o ritmo de crescimento das exportações dependerá da velocidade de aumento da produção dessas unidades e do volume nesses mercados.
A companhia se mantém confiante em alcançar a meta de 1,5 milhão de veículos vendidos no exterior até 2026, de acordo com a Reuters, reforçando a aposta na internacionalização como resposta à desaceleração no mercado doméstico.
*com agências internacionais
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: