Calendário artístico: as principais feiras de arte que ocorrem até o fim do ano
O mercado de arte vive um momento de forte consolidação e expansão global neste segundo semestre de 2026. A busca de colecionadores e investidores por produções que historicamente ficaram fora do grande circuito tradicional (como a arte popular, indígena e identitária) se tornou o motor financeiro das principais exibições do mundo.
Recentes fusões e aquisições corporativas entre gigantes do setor — como a compra da tradicional The Armory Show pela Frieze — também redesenharam a geografia econômica das artes plásticas.
Veja abaixo as principais feiras de arte do mundo que acontecem até o final de 2026:
SP-Arte Rotas
Derivada da SP-Arte, foi criada em 2022 com o propósito de valorizar a diversidade da arte brasileira e não se restringir ao eixo Rio-São Paulo.
É fruto do reconhecimento pelo mercado, nos últimos anos, de produções que foram negligenciadas ou subvalorizadas ao longo do tempo — leia-se: obras de artistas negros, mulheres, indígenas e populares, como os autodidatas costumam ser chamados. Neste ano, o curador Bernardo Mosqueira assume o posto de diretor artístico no lugar de Rodrigo Moura.
No ano passado, a SP-Arte Rotas ocupou a ARCA com 65 projetos curados.
Quando: de 26 a 30 de agosto | Onde: Arca, São Paulo
Criada em 2011, promove ações ao longo do ano todo, compartilhando conhecimento e estimulando a visitação de museus, galerias e instituições culturais cariocas.
Todo ano, a feira, que chega à 16a edição em setembro, costuma reunir mais de 100 colecionadores e curadores vindos de países como Estados Unidos, Panamá, Suíça, Paraguai, Espanha, Peru, Dinamarca, França, Turquia, Bélgica e Itália.
No ano passado, ela reuniu mais de 80 galerias. Um dos destaques é o programa Solo Duo, que incentiva a produção de projetos inéditos e exclusivos para a feira, com a participação de um ou dois artistas.
Quando: de 16 a 20 de setembro | Onde: Marina da Glória, Rio de Janeiro
The Armory Show
Inserido na programação cultural de Nova York desde quando foi criado, em 1994, o evento dá início à temporada de outono do circuito local das artes plásticas.
Um dos setores reúne galerias internacionais que apresentam obras de arte dos séculos 20 e 21. O que é chamado de Solo é dedicado a mostras de um único artista emergente, consagrado ou histórico.
Com curadoria de María Elena Ortiz, o setor Focus destaca artistas de todo o Caribe e regiões vizinhas. Em 2023, o Armory Show foi adquirido pela Frieze, uma das principais organizações mundiais de arte moderna e contemporânea.
Quando: de 24 a 27 de setembro | Onde: Javits Center, Nova York (EUA)
Frieze London
Fundada em 2003 por Amanda Sharp e Matthew Slotover, abre espaço, exclusivamente, para a arte contemporânea e artistas vivos. É simultânea à Frieze Masters, dos mesmos organizadores, também no Regent‘s Park. Esta outra oferece um contraponto histórico, reunindo obras produzidas antes dos anos 2000. E há uma terceira mostra, esta gratuita, só de esculturas.
Nos últimos anos, os três eventos receberam mais de 90.000 visitantes. Ebony L. Haynes, da galeria David Zwirner, e Cédric Fauq, curador-chefe do Museu de Arte Contemporânea de Bordeaux, são alguns dos membros do comitê de seleção da Frieze London 2026.
Quando: de 14 a 18 de outubro | Onde: The Regent’s Park, Londres (UK)
Art Basel (Paris)
Criada em 2024, a versão francesa da mais importante feira de arte do mundo já está inserida no ecossistema cultural da Cidade Luz — a programação da 3a edição ainda não foi divulgada. No ano passado, foram 206 galerias de 41 países e territórios — 65 delas localizadas na França — e mais de 73.000 visitantes.
Os expositores relataram fortes vendas em todos os segmentos e setores do mercado, com destaque para obras de veteranos como Gerhard Richter, de ícones como Amedeo Modigliani (1884-1920) e de artistas em ascensão como Yu Nishimura, nascido no Japão, e Özgür Kar, da Turquia.
Quando: de 23 a 25 de outubro | Onde: Grand Palais, Paris (França)
Art Basel (Miami Beach)
Para as galerias e para os artistas brasileiros, virou uma das principais portas de entrada do cobiçado mercado americano. Sobre a próxima edição, ainda há poucos detalhes. A de 2025 atraiu mais de 80.000 visitantes e reuniu 283 galerias de 43 países e territórios, incluindo 48 expositores estreantes. Registrou-se a presença de importantes colecionadores particulares e mecenas das Américas, da Europa, da Ásia, da África e do Oriente Médio. O americano Kelsey Isaacs, o panamenho Cisco Merel e o brasileiro Adriel Visoto são alguns dos artistas em ascensão cujas vendas chamaram atenção.
Quando: de 4 a 6 de dezembro | Onde: Miami Beach Convention Center, Miami (EUA)
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