Calor extremo ameaça a Copa do Mundo 2026 — e o futuro do futebol, diz estudo
As mudanças climáticas ameaçam não apenas a Copa do Mundo de 2026, mas o futuro do futebol como conhecemos hoje. Um relatório das ONGs Football for Future e Common Goal, desenvolvido em parceria com a consultoria Jupiter Intelligence, revela que 10 dos 16 estádios que sediam a Copa da América do Norte já estão fora dos limites seguros para jogos devido ao calor extremo.
Os cientistas alertam que, sem ações urgentes contra a mudança do clima, a Copa de 2026 pode ser a última em formato tradicional. O Mundial de Clubes da FIFA de 2025 já ofereceu um vislumbre preocupante: jogadores descreveram as condições como "impossíveis" devido ao clima úmido e o calor.
Muitas partidas foram realizadas com temperaturas acima de 29°C durante os horários de maior incidência solar, segundo informações da ESPN.
O estudo analisou as condições climáticas em 16 estádios da Copa de 2026, 18 campos de futebol de base onde lendas começaram suas carreiras, e dois estádios das futuras Copas de 2030 e 2034.
"A Copa mostra as reais implicações do que está acontecendo com o clima", explica Mark McKenzie, jogador da seleção americana e do Toulouse FC. "Enquanto jogos na costa leste sofrem de umidade e calor extremo, o sul cada vez mais lida com frio e tempestades. Se não agirmos rapidamente, tudo isso vai piorar."
Futebol de base em risco
O impacto será ainda mais severo na formação de novos talentos. Todos os campos de base analisados já ultrapassam os limites de segurança em pelo menos um fator de risco.
Rich Sorkin, CEO da Jupiter Intelligence, enfatiza que "desde estádios bilionários a campinhos de bairro, o esporte depende de condições seguras. A resiliência climática é um esforço de equipe, assim como o futebol."
Desigualdade global
O Sul global enfrenta desafios desproporcionais. Apesar de contribuir menos para as emissões globais, essas regiões têm menor capacidade de adaptação e enfrentarão, em média, sete vezes mais dias de calor insuportável que o Norte global.
Alexei Rojas, goleiro do Arsenal e jogador da seleção colombiana sub-23, relatou sua experiência durante uma partida em Singapura. "A sensação era como uma sauna. Umidade e calor absurdos afetaram desde treinos até jogos oficiais", diz.
Para ele, isso compromete não só o futebol profissional, mas a formação de novos talentos: "Se as crianças não tiverem essa experiência, haverá impacto na construção de equipes em pouco tempo".
Jéremy Houssin, líder de sustentabilidade da Common Goal, observa que o clima já gera desengajamento nas novas gerações. "Os jovens já não sonham com o futebol da mesma forma. A solução inclui adaptação dos treinos de base e programas que aumentem o tempo das crianças brincando ao ar livre", afirma.
A pressão pública é significativa, segundo dados ouvidos pela pesquisa:
Soluções para o futebol
Para a Copa de 2026, os especialistas defendem conversas sobre resiliência climática entre governos norte-americanos e a FIFA. "Podemos deixar um legado positivo pela adaptação dos gramados ou mudança de horários dos jogos", sugere Houssin, da Common Goal.
McKenzie, do Toulouse, porém, considera necessárias mudanças mais radicais: "Não é mudando o horário das partidas [para combater o calor extremo] que vamos parar o calor ou tempestades. É um começo de conversa, mas não é perfeito."
1/6 Ilhas Maldivas (1- Ilhas Maldivas)
2/6 Tuvalu (2- Tuvalu)
3/6 Ilhas Marshall: US$ 190,9 milhões (3- Marshall)
4/6 6. Nauru (4- nauru)
5/6 Visão do atol de Tarawa, capital do vasto arquipélago de Kiribati (size_960_16_9_arquipelago-ilha-pacifico.jpg)
6/6 Ilha de Kiribati (size_960_16_9_kiribati.jpg)
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