Câmara busca acordo para elevar teto do MEI antes do recesso
O relator do projeto que amplia o limite de faturamento do microempreendedor individual (MEI), deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC), pretende apresentar seu parecer na primeira quinzena de julho, antes do recesso parlamentar.
A estratégia é construir um texto de consenso com o governo para facilitar a aprovação da proposta na Câmara dos Deputados.
Segundo Goetten, uma das alternativas em discussão é elevar o teto do MEI de forma gradual, modelo defendido pela equipe econômica. O relator afirmou ter alinhado o tema com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e terá reuniões nesta semana com o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, e com consultores da Casa.
O parecer deve manter a elevação do teto anual de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 132 mil a partir de 2027. O texto também prevê ampliar o limite das empresas enquadradas no Simples Nacional, de R$ 4,8 milhões para R$ 8 milhões por ano.
Goetten argumenta que a atualização dos valores corrige perdas provocadas pela inflação. O último reajuste do teto do MEI ocorreu em 2018, enquanto as faixas do Simples Nacional não são atualizadas desde 2016.
Segundo o deputado, a mudança nas regras do Simples é necessária para evitar que empresas migrem para o MEI apenas para pagar menos tributos.
Fazenda defende aumento menor
A proposta enfrenta resistência da equipe econômica. O Ministério da Fazenda defende um aumento mais moderado, com teto de R$ 100 mil em 2027 e R$ 120 mil em 2028.
O principal argumento do governo é o impacto sobre as contas da Previdência. Técnicos estimam que um limite próximo de R$ 130 mil poderia gerar um impacto atuarial de até R$ 90 bilhões ao longo das próximas décadas.
Pelas contas da Fazenda, a alternativa defendida pelo governo teria impacto fiscal entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões nos dois primeiros anos de vigência.
O aumento do teto do MEI foi uma das contrapartidas negociadas pelo governo com a Câmara durante as discussões da proposta que acaba com a escala de trabalho 6 por 1. O Senado já aprovou um texto elevando o limite de faturamento para R$ 130 mil.
*Com O Globo
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: