Caminho do Brasil na Copa do Mundo deve acabar contra Argentina
Não bastava dizer que a Espanha ganha a Copa do Mundo. O Goldman Sachs foi além e previu o torneio inteiro, jogo a jogo, com gols projetados para cada partida.
E, para o torcedor brasileiro, a leitura do documento segue um arco emocional muito específico: alegria, confiança, euforia. E então a Argentina.
O banco publicou nesta sexta-feira, 29, o "Exhibit 6: The Road to the Final" — um bracket completo da fase eliminatória da Copa, com previsão de placar para cada partida com base em seu modelo estatístico de rating Elo, que usa o histórico completo de partidas internacionais desde 1960.
A boa notícia: o Brasil chega às semifinais. A ruim: cai para a Argentina. A péssima: ainda perde o jogo do terceiro lugar para a França. Segundo o Goldman Sachs, o Brasil deve acabar a Copa em quarto lugar.
O caminho projetado
Pela previsão do banco, o Brasil começa sua trajetória eliminando o Japão — placar projetado de 1,75 a 0,80 — e avança para as oitavas de final, onde supera a Noruega por 1,73 a 0,96.
Nas quartas de final, o adversário é a Inglaterra, e o modelo dá ao Brasil uma vitória por 1,53 a 1,11, em uma trajetória confortável, mas não fácil.
É nas semifinais que o sonho acaba.
O Goldman Sachs projeta um confronto entre Brasil e Argentina, e dá a vitória aos argentinos por 1,59 a 1,29.
A seleção de Ancelotti marca mais de um gol, mas não o suficiente para superar a atual bicampeã mundial. No jogo pelo terceiro lugar, a derrota se repete. O banco aponta França 1,80 x Brasil 1,21.
O que o modelo revela
Dois detalhes chamam atenção no bracket.
O primeiro é a qualidade dos adversários projetados para o Brasil. Japão, Noruega e Inglaterra (nessa ordem) formam um caminho exigente mas factível até as semifinais.
A Inglaterra, em especial, é uma seleção ranqueada entre as favoritas ao título, com odds de 7,00 nas casas de apostas. O Goldman Sachs dá ao Brasil uma vitória clara sobre ela, o que sugere que o modelo tem respeito real pela seleção de Ancelotti.
O segundo detalhe é a semifinal.
O confronto com a Argentina — projetado com 1,59 a 1,29 — é o placar mais apertado de todo o caminho argentino até a final. O Goldman Sachs vê uma Argentina forte, mas não imbatível.
No modelo, quem bate o Brasil vai disputar a final com a Espanha, mas perde por 1,58 a 1,21.
O que o Goldman Sachs não consegue prever
O modelo do Goldman Sachs tem um histórico que mistura acertos e tropeços monumentais.
Em 2014, projetou o Brasil como favorito com quase 50% de probabilidade de título.
O que aconteceu a seguir (um 7 a 1 contra a Alemanha na semifinal, justamente no papel de anfitrião) está fora do alcance de qualquer algoritmo baseado em dados históricos.
Modelos estatísticos medem força relativa e probabilidade. Não medem Neymar saindo lesionado nos primeiros minutos de uma partida decisiva, nem um goleiro inspirado numa tarde que não deveria ser a dele.
Uma Copa de 48 seleções e 104 jogos é grande demais para caber inteira em qualquer planilha.
Por ora, o Goldman Sachs diz que o Brasil chega em quarto. Ancelotti, certamente, discorda.
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