Camisa xadrez: o clássico dos anos 90 está de volta?
Não é segredo que a nostalgia por 2016 tomou as redes sociais. Dez anos se passaram desde o período em que as fotos eram editadas no VSCO, o Snapchat era extremamente ativo no Brasil e a moda ainda bebia nos resquícios do grunge dos anos 90, reativado após o sucesso estrondoso de bandas indie no começo da década. Por isso, não é novidade também que, em meio às lembranças, a camisa xadrez está de volta em 2026, segundo matéria do jornal The Guardian.
Dados do TikTok mostram que as buscas pelo ano de 2016 cresceram 452%, enquanto as playlists daquela época no Spotify subiram 71% em relação a 2024, conforme informado pela EXAME em janeiro.
A moda, naturalmente cíclica, também aproveita dessa nostalgia para devolver peças atemporais às vitrines. Segundo o Guardian, é a primeira vez desde os anos 90 que a peça é vista como um item de moda de fato, e não como agasalho extra de dia frio ou o "uniforme" informal dos trabalhadores manuais dos Estados Unidos.
Editoras e stylists apareceram com a peça na primeira fila de desfiles recentes, e as modelos Adwoa Aboah e Emily Ratajkowski foram fotografadas com ela. O técnico do Manchester City, Pep Guardiola, também.
Nos streamings
Uma foto dos bastidores da nova temporada de Euphoria, que estreou neste domingo, 12, mostra o personagem Nate Jacobs, vivido por Jacob Elordi, aparece com uma camisa de flanela da Bottega Veneta. A peça é da coleção primavera/verão 2023, foi usada por Kate Moss na passarela e custa 4.600 libras nas lojas.
A versão de passarela, claro, não é o que a maioria das pessoas usa. No Depop, plataforma de revenda de roupas, as buscas por camisas xadrez "estilo lenhador" cresceram 47% em relação ao ano passado. Uma versão azul da COS, que custa 90 libras, apareceu várias vezes na semana de moda de Nova York no ano passado, usada aberta sobre vestido de alcinha ou amarrada na cintura.
Ao Guardian, Hitanshi Kamdar, editora adjunta de comércio da revista Grazia, descreveu o que vê acontecer. "O que temos visto na moda ultimamente é essa dicotomia entre peças casuais e outras mais sofisticadas", disse. "Isso faz você parecer moderna sem precisar pensar muito."
Origens no trabalho
A peça não é nada nova, em termos de idade. Fabricantes americanas como a Pendleton e a Woolrich, hoje conhecidas por roupas de uso externo, já combinavam padrões do tartan escocês com os do madras indiano no século XIX. A primeira grande volta da camisa como item de moda veio com o grunge nos anos 90.
"O que está acontecendo agora é que todas essas referências estão sendo combinadas", disse ao Guardian Andrew Groves, diretor do arquivo de moda masculina da Universidade de Westminster. "Uma camisa de flanela pode sugerir tradição, rebeldia e simplicidade ao mesmo tempo."
A camisa usada por Guardiola, da marca sueca Our Legacy, traz essa ideia de que a peça é uma recorrente no guarda-roupa masculino. Mahalia Chang, editora de estilo da GQ, comentou ao Guardian que o técnico ganhou com o contraste em relação às roupas justas costumeiras no entorno dele. "Gostei muito desse look do Pep porque o deixou com uma aparência mais descontraída, o fez parecer um pouco mais jovem, um pouco mais estiloso", afirmou.
Mas existem certas recomendações: o caimento é mais folgado, com referência no estilo que Kurt Cobain vestia nos anos 90, longe do registro preppy e abotoado. "Ela transmite uma sensação autêntica e casual, sem ser desleixada", disse Chang.
Quanto mais antigo, melhor
Para Groves, "a camisa xadrez simboliza a masculinidade do dia a dia. Pode parecer comum, mas está intrinsecamente ligada a ideias de trabalho, rebeldia e autenticidade", afirmou ao Guardian.
Chang recomenda procurar no próprio guarda-roupa antes de comprar uma peça nova. "As flanelas são legais porque ficam melhores com o tempo e com o uso. Acho que dá para perceber quando uma é novinha em folha", disse ao jornal.
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