Campanha de Flávio questiona áudio de Vorcaro na Atlas e aliados falam em preocupação

Por André Martins 20 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Campanha de Flávio questiona áudio de Vorcaro na Atlas e aliados falam em preocupação

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela reprodução de um áudio da conversa do senador com Daniel Vorcaro na pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira, 19.

O pedido apresentado ao TSE inclui medida liminar para suspender a divulgação da pesquisa.

No fim do questionário, após todas as perguntas de cenários eleitorais, a pesquisa apresenta o áudio para o eleitor que ainda não ouviu a conversa entre Flávio e Vorcaro.

No estudo, Flávio caiu 5 pontos percentuais no primeiro turno e seis pontos no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A ação questiona a metodologia adotada no levantamento e sustenta que o questionário teria sido estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro.

Segundo a representação, a sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e o uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro, e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados, comprometendo a integridade dos resultados.

Para a coordenação jurídica, a pesquisa revela precedente "manipulativo grave" e deixou de observar a neutralidade esperada em levantamentos eleitorais destinados à divulgação pública. O pedido afirma que o instrumento não apenas mediu a opinião dos eleitores, mas "apresentou estímulos capazes de influenciar a percepção do entrevistado antes de perguntas sobre imagem, rejeição e viabilidade eleitoral".

"A representação também pede a apuração de possível prática de crime eleitoral, diante da gravidade dos vícios apontados e do risco de divulgação de pesquisa considerada fraudulenta pela defesa. O processo foi protocolado no TSE como representação sobre “Pesquisa Eleitoral - Divulgação de Pesquisa Eleitoral Fraudulenta”, com pedido liminar", disse a nota.

Na pesquisa, 51,7% dos entrevistados afirmaram que a conversa indica envolvidos de Flávio no caso Master.

Antes da manifestação da campanha, o irmão de Flávio, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, afirmou que o instituto tentou influenciar o resultado do estudo.

Em publicação no X, Andrei Roman, o CEO da AtlasIntel, afirmou que o áudio é reproduzido depois da conclusão do questionário da pesquisa e, portanto, não tem nenhum impacto sobre os cenários eleitorais.

"A ideia é entender em tempo real o impacto do áudio sobre a percepção do eleitorado, com segmentação demográfica. AtlasIntel sempre mantém uma postura imparcial, que caracteriza nosso trabalho não apenas no Brasil, mas a nível global", afirmou.

Apesar de áudio, aliados falam em preocupação

Apesar do questionamento na Justiça Eleitoral, aliados do senador afirmam ter recebido com preocupação a queda do parlamentar nos cenários de primeiro e segundo turno, embora tratem o movimento como temporário.

O levantamento foi o primeiro que captou totalmente a reação do eleitorado à reportagem do portal The Intercept Brasil que revelou que o senador pediu recursos a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, longa sobre Jair Bolsonaro. Flávio negou irregularidades e afirmou que se tratava de uma iniciativa privada.

Em reservado à EXAME, um aliado afirmou que a pesquisa está "contaminada" pelo momento e que em 10 dias "tudo voltará ao normal".

O influenciador Paulo Figueiredo, aliado de Flávio nos Estados Unidos, afirmou em publicação no X que "após uma campanha implacável de difamação", a pesquisa mostra resiliência.

"Agora, é segurar um pouco, esperar o ciclo de notícias negativas se encerrar e arrumar o time", disse.

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