Campeão olímpico quer transformar ecossistema de inovação em mina de medalhas

Por Rafael Martini 13 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Campeão olímpico quer transformar ecossistema de inovação em mina de medalhas

No vôlei, existe uma posição que raramente aparece nas manchetes, mas que muitas vezes decide o jogo: o meio de rede, também conhecido como central. É dali, do coração da quadra, que saem bloqueios decisivos, ataques rápidos e leituras capazes de mudar o rumo de uma partida.

Foi exatamente nesse ponto estratégico que Paulo André Jukoski da Silva, mais conhecido como Paulão do vôlei, construiu uma das trajetórias mais respeitadas do esporte brasileiro.

Eterno camisa 5 da seleção, Paulão integrou o time que conquistou o ouro olímpico em Barcelona, em 1992 — a primeira geração dourada do vôlei brasileiro, responsável por mudar para sempre o patamar do esporte no país.

Mais de três décadas depois, o campeão olímpico quer aplicar a mesma lógica fora das quadras: colocar o esporte no centro de um projeto que conecta formação de atletas, educação e inovação em Florianópolis.

À frente do Projeto V5, Paulão transformou a experiência no alto rendimento em uma iniciativa que hoje atende cerca de 350 meninas, das categorias de base ao competitivo.

“O vôlei abriu portas para aquele menino que saiu do interior do Rio Grande do Sul atrás de um sonho. Agora quero ajudar outras meninas a encontrarem o caminho delas através do esporte.”, afirma Paulão.

Entre as atletas atendidas, 15 recebem bolsa integral, com acesso a uma estrutura que inclui plano médico, alimentação, acompanhamento psicológico, suplementação, exames físicos e aulas de inglês. “O nosso objetivo não é apenas formar atletas. É formar pessoas preparadas para a vida”, diz o campeão olímpico.

O nível de estrutura do projeto chama atenção. O V5 conta atualmente com uma comissão técnica formada por seis treinadores, dois assistentes, psicóloga, pedagoga, dois fisioterapeutas e preparador físico, criando um ambiente semelhante ao de centros de formação de clubes profissionais.

Planejamento e resultados

As equipes são organizadas por categorias que vão do sub-12 — com meninas de 10 e 11 anos — até o sub-19, etapa que prepara as atletas para o alto rendimento e para oportunidades no esporte universitário e profissional.

Apesar de relativamente recente, o Projeto V5 já começou a colecionar resultados expressivos nas quadras. As equipes disputam competições importantes do calendário de base, como a Liga Sul, a Liga Norte e a tradicional Taça Paraná — considerada a maior competição de base do vôlei da América Latina.

Nos Campeonatos Brasileiros Interclubes (CBI), organizados pela Confederação Brasileira de Voleibol, os resultados também chamam atenção: o projeto já conquistou o título nas categorias CBI Sub-16 e CBI Sub-17, além do vice-campeonato no CBI Sub-19.

Neste ano, o V5 deu mais um passo importante ao passar a disputar a elite do vôlei nacional nas categorias Sub-16, Sub-17 e Sub-19, consolidando Florianópolis como um novo polo de formação de talentos na modalidade.

Atletas do V5 contam com equipe multidisciplinar

Para Paulão, porém, os troféus são consequência de algo maior.“Ganhar campeonato é importante, claro. Mas o que realmente nos motiva é ver essas meninas crescendo como atletas e como pessoas”, afirma.

A filosofia do projeto também reflete a posição que consagrou Paulão nas quadras.

“O central precisa ter leitura de jogo, equilíbrio e senso coletivo. É isso que tentamos ensinar aqui: disciplina, responsabilidade e trabalho em equipe”, explica.

Esporte integrado ao ecossistema

O próximo passo do projeto é ainda mais ambicioso. Paulão busca investidores para viabilizar a construção da Sapiens Arena, um complexo esportivo dedicado ao voleibol dentro do Sapiens Park, no Norte da Ilha de Santa Catarina.

O empreendimento,, está planejado em um terreno de 15.600 metros quadrados e terá como peça central uma arena multiuso com capacidade para cerca de 3.500 espectadores, preparada para receber grandes eventos esportivos e jogos de alto nível.

Além do ginásio principal, o complexo contará com três quadras poliesportivas de treinamento, voltadas ao desenvolvimento de atletas de base e alto rendimento, além de quadras de areia para a prática de vôlei de praia.

O projeto inclui ainda um centro de saúde e performance com mais de 1.500 metros quadrados, com estrutura para preparação física, fisioterapia, pilates e bem-estar.

Outro destaque será o Museu do Voleibol, um espaço interativo que reunirá relíquias históricas, medalhas e objetos que contam a trajetória da modalidade no Brasil e no mundo.

O complexo também prevê um mall com lojas, cafés e praça de alimentação, criando um ambiente de convivência e lazer que integra esporte, cultura e negócios em uma das regiões que mais crescem em Florianópolis.O investimento estimado para viabilizar o projeto gira em torno de R$ 12 milhões.“A ideia é criar um lugar onde esporte e inovação caminhem juntos. Florianópolis já é referência em tecnologia. Por que não também na formação de atletas?”, afirma Paulão.

A iniciativa também dialoga com a história do vôlei na cidade. Florianópolis viveu momentos marcantes no cenário nacional nos anos 1990 e 2000, quando equipes como a Cimed colocaram a capital catarinense entre os polos do esporte no país. Hoje, porém, a falta de infraestrutura adequada para treinamento e competições de alto rendimento é um desafio. O ginásio do Capoeirão, que já recebeu partidas importantes, está praticamente subutilizado.

Para Paulão, o V5 surge justamente para preencher essa lacuna e ampliar o alcance do esporte na formação de jovens atletas.“Talento existe em todo lugar. O que falta muitas vezes é oportunidade. O nosso papel é ajudar a encontrar essas novas pepitas”, diz.No fim das contas, a lógica é a mesma que define o jogo dentro da quadra. No vôlei, o meio costuma decidir o ponto.

E é justamente do meio da quadra — e agora também do coração do Sapiens Park — que Paulão espera ajudar a revelar as próximas pepitas do vôlei brasileiro.O alcance do Projeto V5 também é resultado de uma rede de empresas e instituições que decidiram apostar no esporte como ferramenta de transformação social. Entre os apoiadores estão Hospital Baía Sul Mulher, Celesc, Engie, Colégio Cruz e Sousa, Supermercados Angeloni, Biogenetika (exames de DNA), Iônica, Essential, Multilog, Reunidas, Unimed, Grupo DVA, Energiluz, Estação 261 Gastronomia, Construtora Lumis, Orcali, CBA Construtora, RFM Negócios Imobiliários e a plataforma digital Weduka.

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