Campo magnético da Terra se moveu mais de 2.250 km — organizações globais temem grandes danos

Por Mateus Omena 3 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Campo magnético da Terra se moveu mais de 2.250 km — organizações globais temem grandes danos

O deslocamento do campo magnético terrestre está ocorrendo em uma velocidade que exige atualizações constantes dos sistemas de navegação utilizados em aviões, embarcações, smartphones e plataformas de mapas digitais.

O movimento do Polo Norte magnético tem levado cientistas e órgãos responsáveis por navegação a revisar periodicamente os dados que orientam equipamentos ao redor do planeta. Diferentemente do Polo Norte geográfico, que permanece fixo nos mapas, o polo magnético muda de posição ao longo do tempo.

Desde sua localização inicial registrada, em 1831, o Polo Norte magnético percorreu mais de 2.250 quilômetros, deixando a região do Ártico canadense e avançando em direção à Sibéria.

A origem desse fenômeno está no núcleo externo da Terra, camada composta principalmente por ferro e níquel líquidos. O deslocamento contínuo desses metais gera correntes eletromagnéticas responsáveis pela formação do campo magnético terrestre.

Como essa dinâmica interna nunca cessa, o campo magnético sofre alterações constantes. Consequentemente, o norte magnético também se desloca ao longo dos anos.

Pesquisas publicadas na revista Nature Geoscience indicam que essa migração está associada à interação entre dois grandes lobos de fluxo magnético localizados na fronteira entre o núcleo e o manto terrestre. Um deles está sob o Canadá e o outro sob a Sibéria.

Para acompanhar essas mudanças, cientistas realizam atualizações periódicas do Modelo Magnético Mundial, conhecido pela sigla WMM, do inglês World Magnetic Model. O sistema serve como referência para governos, empresas de tecnologia e setores ligados ao transporte.

A versão WMM2025 foi divulgada em dezembro de 2024 e permanecerá válida até o final de 2029. O modelo é desenvolvido pela NOAA, pelo British Geological Survey e por órgãos de defesa dos Estados Unidos e do Reino Unido.

A principal função do WMM é transformar a posição do norte magnético em informações de direção utilizadas por equipamentos de navegação. Sem essas correções, desvios pequenos podem se acumular ao longo de percursos extensos, especialmente em operações aéreas, marítimas e em regiões polares.

"O comportamento atual do norte magnético é algo que nunca observamos antes", William Brown, modelador global do campo geomagnético do órgão em entrevista ao British Geological Survey.

Segundo Brown, o deslocamento em direção à Sibéria ganhou velocidade nas últimas duas décadas. Posteriormente, o ritmo diminuiu de aproximadamente 50 quilômetros para 35 quilômetros por ano, configurando a maior desaceleração já registrada.

Como a Mudança Afeta Sistemas de Navegação

Para a maior parte da população, os efeitos dessa movimentação passam despercebidos. Embora o GPS dependa de satélites para determinar posições, dispositivos modernos também utilizam sensores internos, mapas digitais e bússolas eletrônicas para complementar a orientação.

Quando os modelos magnéticos ficam desatualizados, a precisão da direção fornecida por esses sistemas pode ser reduzida. Em deslocamentos curtos, o impacto costuma ser mínimo. Em viagens de centenas ou milhares de quilômetros, porém, diferenças acumuladas podem se tornar relevantes.

Os segmentos que monitoram essas alterações com maior atenção incluem:

Especialistas destacam que não há motivo para preocupação. O campo magnético terrestre já passou por diversas transformações ao longo da história geológica do planeta.

Também existem registros de inversões magnéticas completas, fenômeno em que os polos trocam de posição. No entanto, esse processo ocorre em escalas de tempo muito longas.

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