Cansada de freelancers, executiva criou 17 funcionários de IA — incluindo um Steve Jobs virtual

Por Guilherme Santiago 11 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cansada de freelancers, executiva criou 17 funcionários de IA — incluindo um Steve Jobs virtual

O que você precisa saber:

Quando Yesim Saydan precisa de uma ideia ousada ou de uma estratégia criativa, ela não chama uma equipe nem agenda reunião com mentor. Ela abre o ChatGPT e conversa com Steve Jobs.

Não com o Steve Jobs real, o cofundador da Apple morreu em 2011. Mas com um GPT personalizado que Yesim treinou por mais de 40 horas, alimentado com transcrições de vídeos, estratégias e lançamentos do executivo. É um dos mais de 17 agentes de IA que essa especialista em branding na faixa dos 50 anos construiu para escalar sozinha a consultoria que mantém na Holanda.

A história, contada por Yesim em ensaio no Business Insider, ilustra uma mudança silenciosa no mercado: profissionais experientes estão deixando de contratar equipes humanas para terceirizar trabalho — não para freelancers, mas para agentes de IA treinados na metodologia da própria casa.

Os 17 funcionários que nunca dormem

Yesim atende executivos e empreendedores que querem expandir autoridade nas redes sociais. O problema sempre foi escalar consultoria one-on-one sozinha.

"Antes da IA, se eu quisesse aumentar o número de clientes, minha única opção era contratar freelancers. Gastava muito tempo treinando eles na minha metodologia e tinha a impressão de que eles não se importavam tanto quanto eu", conta.

A função de GPTs personalizados foi lançada pela OpenAI em novembro de 2023 e permite criar agentes especializados em tarefas específicas (Getty Images)

Tudo mudou em novembro de 2023, quando a OpenAI lançou os GPTs personalizados. Yesim viu ali a chance de montar uma equipe inteira sem contratar ninguém.

A ideia inicial era criar quatro agentes. Yesim percebeu rápido que a IA produz resultados ruins quando sobrecarregada com muitas tarefas. A solução foi criar um agente especializado para cada função. Hoje, sua "equipe" tem pesquisador de mercado, analista de ligações de vendas, redator de propostas, roteirista de vídeo, avaliador de perfis do LinkedIn — e agentes individuais para cada cliente, treinados no tom de voz e histórico de conversas.

"Cada vez que faço uma consulta ou envio um documento, o agente melhora, assim como um funcionário real faria", explica.

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Como ela "consulta" Steve Jobs

Depois de montar a equipe operacional, Yesim deu o segundo passo: criar mentores virtuais. Pensou em quem ela gostaria de ter como conselheiro — vivo ou morto — e escolheu Steve Jobs como o primeiro.

O treinamento teve duas frentes: transcrições de vídeos em que Jobs explica estratégias e o que buscava em produtos, e estudos de caso de lançamentos como iPhone e iPad — para que a IA aprendesse não só o raciocínio, mas também a execução.

Yesim treinou o GPT com transcrições de keynotes históricas, incluindo lançamentos do iPhone e iPad (Justin Sullivan/Getty Images)

A instrução inicial foi direta: "Você é Steve Jobs, tem décadas de experiência em X, Y e Z, e sua habilidade mais importante é a criatividade, a inovação e o pensamento inovador."

Foram 40 horas de pesquisa só para chegar ao nível atual. Yesim continua adicionando conteúdo sempre que encontra material relevante — e já replicou o método com agentes treinados para pensar como Elon Musk e Dan Kennedy, referência em marketing direto.

O truque para escapar do "sim virtual"

Um dos maiores aprendizados de Yesim foi descobrir como forçar a IA a ser honesta. Modelos como o ChatGPT tendem a concordar com o usuário e oferecer respostas agradáveis — o que ela chama de "sim virtual".

A solução: nunca perguntar "o que você acha desta ideia?". "A IA quer concordar comigo e me agradar. Em vez disso, pergunto: 'Em uma escala de um a dez, quão boa é esta ideia?'", conta.

Quando a IA dá nota cinco, Yesim devolve: "OK, o que faria dela nota 10?" É nesse vai e vem que o GPT do Jobs começa a usar de fato a experiência com que foi treinado. Costumam ser três a cinco rodadas de refinamento até chegar à resposta mais estratégica.

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'A IA me assusta, mas não há como voltar atrás'

Apesar do entusiasmo, Yesim admite que tem momentos de pânico. "Às vezes fico literalmente paralisada ao pensar nos impactos e se as pessoas vão acabar desempregadas. Mas tento me lembrar de que não sou Deus e não sei o que acontecerá. Isso me acalma", diz.

A conclusão dela, depois de mais de dois anos construindo agentes todos os dias, é que a tecnologia funciona melhor quando vista como extensão do cérebro humano, não substituto.

"A IA, por si só, é poderosa. Mas o que a torna verdadeiramente mágica é quando combinamos nossa experiência e habilidades com ela. Não há como voltar atrás."

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