'Capital das startups' no Brasil dispara em ranking e entra no top 250 global
Florianópolis foi destaque no Global Startup Ecosystem Index 2026, ranking da StartupBlink. A capital catarinense avançou 31 posições , entrando pela primeira vez entre as 250 cidades mais relevantes do mundo para startups e inovação.
Agora, a cidade ocupa o 247º lugar global, com crescimento anual de 57,1%, o maior entre os principais polos brasileiros avaliados pelo estudo. No Brasil, a cidade aparece atrás de São Paulo (24º), que lidera entre as brasileiras; Rio de Janeiro (138º), Curitiba (146º), Belo Horizonte (157º) e Porto Alegre (196º).
O movimento ajuda a reforçar uma mudança que vem ocorrendo há alguns anos no Brasil: o crescimento dos ecossistemas fora do eixo tradicional de inovação concentrado em São Paulo e Rio. O próprio relatório aponta que cidades de médio porte têm apresentado crescimento mais acelerado do que polos já consolidados.
Qual é o caminho que Florianópolis está trilhando
Se hoje Florianópolis tem a fama de "capital das startups", a construção desse ecossistema começou décadas antes de o termo startup virar parte do vocabulário empresarial.
Segundo Walmoli Gerber, vice-presidente de marketing da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), a trajetória da cidade está ligada à formação de um ambiente de longo prazo.
"A maturidade do ambiente que a gente construiu ao longo de 40 anos fez diferença. Sempre houve um movimento para aproximar desde quem estava começando até grandes empresários, criando relações, investimento e troca de conhecimento", afirma.
Uma característica destacada por ele é que empresas que nasceram pequenas permaneceram conectadas ao ecossistema mesmo depois de crescer.
"Muitas das empresas que começaram como startups hoje se tornaram grandes negócios e continuam fortalecendo o ambiente, patrocinando eventos, investindo e criando seus próprios programas de aceleração."
A lógica funciona quase como um ciclo: empresas formadas dentro do ecossistema ajudam a financiar e alimentar a próxima geração.
Como Florianópolis tenta competir com cidades maiores
Em volume, São Paulo continua distante dos demais polos brasileiros e permanece como principal centro de startups do país e da América Latina. Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte aparecem em um segundo grupo mais próximo. Porto Alegre e Florianópolis lideram uma terceira camada de cidades em expansão.
Segundo dados citados no levantamento, o setor de tecnologia já representa cerca de 25% do PIB local de Florianópolis — participação acima da observada em outras capitais brasileiras. Outro dado frequentemente utilizado pelo ecossistema local indica que a concentração de startups por habitante supera a de grandes centros como São Paulo.
Mas construir empresas de tecnologia fora dos grandes centros costuma depender também de condições práticas: abertura de empresas, tributação, crédito e acesso a redes de relacionamento.
"Hoje, abrir uma empresa de tecnologia em Florianópolis é algo extremamente simples. Além disso, existe uma estrutura de apoio muito grande para quem está começando", afirma Gerber.
Ele cita iniciativas como linhas de crédito garantidas pela Acate e programas de aceleração desenvolvidos em parceria com entidades como o Sebrae.
A tecnologia catarinense cresce além da capital
Segundo o levantamento, o avanço catarinense não aconteceu apenas em Florianópolis. Chapecó foi um dos destaques brasileiros do levantamento ao subir 402 posições no ranking global e alcançar o 845º lugar mundial. Blumenau também avançou, enquanto Joinville permanece entre os dez principais ecossistemas brasileiros, apesar de uma leve queda no ranking deste ano.
A dispersão geográfica ajuda a explicar um fenômeno que se diferencia de outros polos brasileiros: em vez de concentrar quase toda a atividade em uma única cidade, Santa Catarina passou a formar núcleos regionais conectados.
Hoje o estado reúne cerca de 29 mil empresas de tecnologia, segundo a Acate.
"O que começou há décadas como uma tentativa de criar oportunidades para estudantes permanecerem em Florianópolis acabou formando um ambiente muito maior", diz Gerber.
O desempenho de Florianópolis ocorre em um momento de avanço mais amplo do país.
No ranking global da StartupBlink, o Brasil subiu uma posição em 2026 e ocupa agora a 26ª colocação mundial, mantendo a liderança da América Latina pelo sétimo ano consecutivo. O país teve crescimento anual de 17,7% no ecossistema de startups e colocou 32 cidades entre as mil principais do mundo.
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