Capobianco defende floresta e biocombustíveis no Diálogo de Petersberg
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, discura nesta terça-feira (21) em Berlim no 17º Diálogo Climático de Petersberg. O encontro ministerial anual, organizado pelo governo alemão, reúne representantes de mais de 40 países para preparar o terreno político das negociações climáticas globais.
O Diálogo Climático de Petersberg é considerado primeiro grande encontro ministerial sobre clima de 2026. Ele serve para alinhar posições antes das negociações formais da ONU, que culminam na COP31 em Antalya, na Turquia, em novembro.
No painel "Preparando a cena para a COP31", Capobianco apresenta os avanços do Brasil desde a COP30, realizada em Belém, e defende duas apostas centrais da diplomacia ambiental brasileira: o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF) e os biocombustíveis como parte da estratégia de transição energética.
Com dados concretos, como a redução de 50% do desmatamento na Amazônia e os US$ 6,7 bilhões já comprometidos ao fundo, o ministro argumenta que atingir a meta de 1,5ºC de aquecimento global ainda está ao alcance da comunidade internacional.
A seguir, o discurso na íntegra:
Excelências, distintos colegas,
Gostaria de tomar emprestadas as palavras do meu querido amigo André, que presidiu com tanto êxito a nossa COP30.
As deliberações no âmbito da UNFCCC dependem de consenso. Mas a implementação depende de nossos esforços individuais – e da nossa capacidade de cooperar.
O presidente Lula insistiu que, na COP30, deveríamos nos comprometer a lançar processos para desenvolver mapas do caminho claros: um para a transição para longe dos combustíveis fósseis e outro para o fim do desmatamento.
Infelizmente, não conseguimos chegar a um acordo sobre esses pontos em Belém. Mas o presidente André Corrêa do Lago e sua equipe iniciaram as discussões que nos permitirão avançar nesses dois roteiros essenciais.
Ainda assim, como acreditamos que a implementação está ao nosso alcance, o Brasil, em conjunto com países parceiros, propôs a criação do Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF): um mecanismo inovador que não se baseia em doações, mas em investimentos. Ele pode gerar um fluxo permanente e de longo prazo de financiamento para conservar florestas tropicais em mais de sessenta países.
Hoje, 66 países, além da União Europeia, apoiam essa iniciativa. Já temos US$6,7 bilhões comprometidos e, nas últimas semanas, avançamos na estrutura de governança com o Banco Mundial para tornar o TFFF operacional. O que precisamos agora é alcançar US$10 bilhões para destravar o investimento privado e ativar plenamente o fundo.
E por que este é um exemplo concreto de que cumprir a meta de 1,5ºC está ao nosso alcance?
Permitam-me ilustrar com a experiência do Brasil. Nos últimos três anos, reduzimos o desmatamento na Amazônia em 50%. Combinado com reduções em outros biomas, como o Cerrado e a Mata Atlântica, isso evitou aproximadamente 800 milhões de toneladas de emissões de CO₂ equivalente.
Este fato demonstra a escala de impacto que o TFFF pode gerar para a meta de 1,5ºC.
Ao mesmo tempo, reconhecemos a importância de acelerar a transição em todos os setores, incluindo transporte e indústria.
Nesse sentido, os biocombustíveis são uma parte importante de nossa estratégia.
O Brasil tem décadas de experiência com etanol e outros biocombustíveis, que hoje desempenham um papel significativo na redução de emissões no setor de transportes. Embora os biocombustíveis ainda enfrentem resistência e questionamentos legítimos em partes do debate internacional, acreditamos que devem ser considerados como parte de um portfólio mais amplo de soluções, particularmente em setores em que a eletrificação permanece difícil no curto prazo.
Avançar em critérios de sustentabilidade, garantir a integridade ambiental e promover a transparência serão essenciais para construir maior confiança nessas soluções.
É por isso que o presidente Lula recentemente levou um exemplo concreto ao cenário internacional. Na Feira de Hannover, o Brasil apresentou um caminhão fabricado no país pela Mercedes-Benz, movido 100% a biocombustível.
A mensagem foi simples, mas importante: as soluções já existem. O desafio diante de nós é ampliá-las, assegurar sua sustentabilidade e integrá-las a estratégias de transição mais amplas.
Muito obrigado.
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