Carlos Antonio Rocca, fundador do Cemec-Fipe, morre aos 85 anos
O economista Carlos Antonio Rocca morreu neste domingo, 8, aos 85 anos, na cidade de São Paulo.
Coordenador do Centro de Estudos de Mercado de Capitais da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Cemec-Fipe), Rocca lutava contra um câncer, segundo informações confirmadas por familiares.
Ele foi uma figura central na formulação de políticas financeiras no país e deixou um legado que transita entre a academia de elite, a gestão pública e a consultoria estratégica para grandes corporações.
Legado acadêmico
Doutor em Economia pela FEA-USP, o profissional consolidou a reputação técnica ao ocupar cargos de alta relevância, como a secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e a diretoria da Fipe. Sua atuação no Conselho Monetário Nacional (CMN) e como consultor do Banco Mundial o posicionou como uma das vozes mais respeitadas na análise de riscos e desempenho econômico.
Rocca foi um entusiasta do desenvolvimento do mercado de capitais como motor para o crescimento nacional. No setor privado, fundou consultorias de renome, como a Risk Office, focada em gestão de risco de mercado e carteiras de investimento.
A expertise técnica o levou aos conselhos de administração de gigantes brasileiras, incluindo o BNDES e a Petrobras, onde integrou o comitê financeiro. A trajetória de Rocca foi marcada por um rigor estatístico apurado, fruto de sua pós-graduação na Poli-USP, que aplicava no monitoramento da alta administração de companhias através da REP&A Consulting.
Geração de novos economistas
A contribuição de Carlos Antonio Rocca para a economia brasileira vai além dos cargos executivos. Como mentor e professor, ele ajudou a moldar gerações de economistas na Universidade de São Paulo. Seus estudos no Cemec serviram como base para discussões sobre a eficiência do mercado financeiro e o custo de capital no Brasil, influenciando diretamente reguladores e investidores institucionais ao longo das últimas décadas.
Rocca também manteve uma presença ativa em entidades de classe, ocupando cadeira no Conselho de Economia da Fiesp. Para interlocutores do setor, ele era visto como um mestre na arte de traduzir cenários macroeconômicos complexos em estratégias práticas de gestão de risco. O economista deixa a mulher e cinco filhos, e sua despedida ocorre em cerimônia realizada na capital paulista ainda neste domingo, 8, reunindo grandes nomes da cúpula financeira brasileira.
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