Carol Celico leva marca de roupas do digital ao varejo e mira R$ 57 milhões

Por Bianca Camatta 28 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Carol Celico leva marca de roupas do digital ao varejo e mira R$ 57 milhões

Em 2022, a influenciadora Carol Celico transformou sua experiência no setor de eventos em uma marca de roupas online. A aposta foi em peças unissex e que atendem públicos de diferentes idades — a NIINI, que faturou R$ 40 milhões em 2025.

“As roupas misturam elegância com jovialidade, o despretensioso com o sexy. Muitas pessoas disseram que eu deveria focar em um público específico, mas essa variedade deu muito certo e atrai um público maior, de adolescentes de 15 anos a senhoras de 70”, diz Carol Celico.

O negócio, que nasceu no digital, hoje conta com duas lojas físicas em shoppings da rede Iguatemi, em São Paulo (SP), e prevê a inauguração de uma terceira loja fora da cidade ainda em 2026.

Com nova unidade somada ao impulsionamento da venda por atacado, a NIINI espera um faturamento de R$ 57 milhões em 2026.

O problema pessoal que vira empresa

Carol sempre teve vontade de empreender, como uma forma de deixar um legado criado por ela. A ideia para um negócio que resolvesse uma lacuna do mercado veio da experiência com os filhos.

“Meus filhos saíram do tamanho 14 e não encontravam uma numeração de transição antes do PP adulto. Foi assim que percebi uma demanda não atendida”, diz. A própria Carol tinha dificuldade de encontrar calças menores do que 36.

Ela também entendia que, muitas vezes, a divisão entre roupas femininas e masculinas era limitante. Hoje, 20% da coleção pode transitar entre masculino e feminino.

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Apostou em uma marca com numerações que vão do 30 ao 44, com a maior parte das peças unissex. “A proposta é oferecer roupas versáteis, que vão do dia à noite, com conforto e qualidade no nível de marcas importadas”, diz.

A ideia surge em 2020 e ganha forma em 2022, quando foi lançado o e-commerce. Para estruturar o negócio, aproveitou a experiência anterior no mercado de eventos.

“Organizamos eventos de grande porte, de mil pessoas em praça pública a casamentos internacionais. Essa experiência exige precisão absoluta de timing e me trouxe uma visão de gestão 360 graus.”

Contratou um especialista para desenhar as peças e contribuir com decisões sobre tecidos e fornecedores.

A divulgação inicial veio por meio da imagem da empreendedora como influenciadora, com pessoas que já a acompanhavam e gostavam de seu estilo comprando pelo digital.

“Eu tinha um público que me conhecia e se interessava pelo meu estilo, o que acelerou o início. Mas crescimento rápido não se sustenta sozinho: é preciso gestão próxima, cuidado com o produto e melhoria constante para garantir consistência e fidelização”, diz Carol.

Diversificação das vendas

Com o crescimento da marca, começaram a surgir demandas de clientes que queriam experimentar as roupas antes de comprar. Carol as recebia no escritório da empresa, mas logo teve uma oportunidade para um ponto comercial.

“O Iguatemi nos procurou para oferecer um ponto. Foi como receber um aval de um polo comercial. Abrimos as duas primeiras lojas físicas em 2023,  uma no Iguatemi e outra no JK Iguatemi, em São Paulo”, diz.

A loja criou um ambiente preparado para receber as clientes que já conheciam a marca e virou uma vitrine para uma nova clientela.

Loja NIINI no shopping Iguatemi tem 135 m² (Nicolas Calligaro/Divulgação)

Hoje, ambas as lojas já foram transferidas para unidades maiores nos mesmos shoppings. Neste ano, a loja do Shopping Iguatemi deixou um espaço de 57 m² para um de 135 m², atendendo à necessidade de maior variedade para os clientes. O investimento para a abertura da loja foi de R$ 1 milhão.

No final de 2024, a marca apostou em outra frente: a venda de peças por atacado, após pedidos e demandas de lojas pelo Brasil. Já são 76 lojas que compram da NIINI.

“O atacado amplia o volume, melhora nosso poder de negociação com fornecedores e fortalece o branding ao levar a marca a novos clientes em diferentes estados”, afirma Carol.

O desafio da média empresa

A cadeia produtiva ainda é um dos principais desafios para a marca. A limitação de fornecedores no Brasil, seja pelo alto custo das fábricas mais estruturadas ou pela baixa capacidade de produção das menores, cria um gargalo para empresas em fase de crescimento.

“A gente fica no meio do caminho: as fábricas maiores são caras e já atendem grandes marcas, enquanto as menores não conseguem dar conta do volume que precisamos.”

Para contornar a situação, a empreendedora aposta em diferentes fornecedores e fábricas, que somam mais de 350. “Na alfaiataria, a produção acontece em diferentes fornecedores. A calça em um, o blazer, mais complexo, em outro. Isso exige coordenação de timing e controle rigoroso de qualidade”, exemplifica.

Nesse modelo, a empresa produz atualmente 50 mil peças por ano.

Outro desafio central do negócio está na gestão do fluxo de caixa e no planejamento de coleções. Diferentemente de varejistas que revendem produtos prontos, a marca desenvolve todas as etapas da produção, do tecido aos acabamentos, o que exige decisões com antecedência de até um ano e meio.

“Isso exige uma aposta muito grande, porque o crescimento pode surpreender e não dá para repor rápido, já que os prazos são longos”, diz.

Rumo aos R$ 57 milhões

Para 2026, o objetivo é faturar R$ 57 milhões, crescimento de 43%, que será impulsionado pela renovação da loja do Iguatemi e pela expectativa de aumentar as vendas no atacado.

O objetivo é manter as 76 lojas como clientes, para garantir qualidade e ampliar o volume de vendas, movimento que já vem sendo observado no último ano.

“Estamos priorizando crescer com os parceiros atuais, aumentando volume e qualidade, antes de ampliar a base.”

Ainda, a NIINI deve ser impulsionada com uma nova loja física, a ser inaugurada no segundo semestre de 2026. Carol não revela o local, mas diz que será fora da cidade de São Paulo.

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