Carro elétrico derrubou ações da Ferrari, mas analistas veem reação exagerada

Por Ana Luiza Serrão 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Carro elétrico derrubou ações da Ferrari, mas analistas veem reação exagerada

Analistas do setor automotivo estão pedindo cautela aos investidores após a queda de mais de 8% nas ações da Ferrari na terça-feira, 26, provocada pela estreia do Luce, o primeiro carro 100% elétrico da montadora. Para eles, a reação do mercado foi exagerada e o histórico recente da própria Ferrari oferece argumentos concretos para acreditar nisso, segundo relatos e informações divulgadas pela CNBC.

O Luce, primeiro modelo de cinco lugares da marca com preço de 550 mil euros (cerca de US$ 640 mil), foi apresentado na segunda-feira, 25, pelo CEO Benedetto Vigna, que celebrou o lançamento como "um dia muito, muito importante" e "um novo capítulo" na história da empresa.

Carro elétrico da Ferrari recebe críticas

Dentre as críticas recebidas pelo novo modelo não apresentar um design próximo e o famoso barulho de aceleração vistos na tradicional Ferrari, o ex-presidente da montadora Luca di Montezemolo, que ocupou cargos de liderança na Ferrari por décadas até 2014 e hoje integra o conselho da rival McLaren, disse esperar que "retirem o (símbolo do) cavalo rampante desse carro".

A Ferrari se recusou a comentar. Já o vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes da Itália, Matteo Salvini, foi na mesma linha. "Do ponto de vista estético, fala por si só... Não se parece em nada com um carro da Ferrari. E isso é considerado 'inovação'? Quem sabe o que Enzo Ferrari diria", avaliou.

Analistas pedem calma aos investidores

A principal linha de defesa dos analistas vem da RBC Capital Markets, reconhecendo as preocupações com o design do Luce, que prioriza aerodinâmica em detrimento da força descendente e pode, segundo investidores, afetar o valor residual do modelo.

Mas trouxeram um contraponto histórico que, em 2022, quando a Ferrari apresentou o Purosangue, seu primeiro modelo de quatro portas lido pelo mercado como uma ruptura com a promessa histórica de nunca fazer um SUV, a reação também foi negativa.

O modelo acabou se tornando um dos mais vendidos da marca, com demanda superando oferta.

Ferrari: ações caíram após lançamento do Luce. (Ferrari/Divulgação)

"Embora o design do Luce se afaste da tradição da Ferrari, a empresa indicou que a experiência de direção permanece fiel à marca", afirmaram os analistas da RBC.

A equipe acrescentou que a Ferrari pode limitar o volume de vendas do Luce para preservar a exclusividade, mas que "a demanda inicial pelo veículo é um indicador-chave para os investidores monitorarem".

"É muito cedo para preocupações excessivas, especialmente se o design atrair novos clientes, potencialmente na China", acrescentou.

As ações, listadas em Milão, chegaram a subir mais de 2% na manhã de quarta-feira, 27, antes de fecharem com leve queda.

O risco estrutural que o mercado vê

O Citi lembrou que rivais como Bentley, Lamborghini e Aston Martin adiaram a transição para veículos elétricos a bateria, e que o lançamento do Luce escancarou os riscos dessa mudança para marcas voltadas ao público ultra-rico.

"Isso já teve algum impacto no múltiplo de avaliação, pressionado também pelas menores expectativas de crescimento do lucro por ação em cinco anos", escreveram os analistas.

O Citi reconheceu, no entanto, que a Ferrari não pode ignorar a tendência indefinidamente. "Nem mesmo a Ferrari consegue contrariar essa tendência para sempre. Resta saber se o momento e o apelo do Luce resolverão a questão da transição para veículos elétricos a bateria para a Ferrari neste momento."

No curto e médio prazo, os resultados da montadora ainda serão sustentados pelos modelos de combustão interna.

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