Carteira do BNDES soma R$ 250 bi em projetos de infraestrutura
A carteira de projetos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem mais de 140 projetos, com cerca de R$ 250 bilhões em investimentos para execução.
Segundo Nelson Barbosa, diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, o valor deve ser diluído ao longo dos próximos anos.
“Temos desde projetos menores, como concessão de manejo de floresta, até projetos grandes como a Transnordestina, portos e aeroportos e rodovias”, disse Barbosa em entrevista ao EXAME Infra, podcast de infraestrutura da EXAME em parceria com a empresa Suporte.
Apesar do número expressivo, para o diretor, o importante é continuar preparando projetos, mesmo com mudanças nos ciclos econômicos e políticos.
Dependendo da conjuntura macroeconômica, há mais ou menos recursos disponíveis, e diferentes níveis de recursos governamentais.
“O importante é ter os projetos prontos para quando a janela de oportunidade se abrir.”
O entendimento do BNDES é que os planejamentos em infraestrutura, por serem executados a longo prazo, devem ser contínuos.
“Ainda que não sejam realizados imediatamente, ficam prontos e transparentes para serem executados quando houver disponibilidade de recurso”, afirmou Barbosa.
Financiamentos
Depois de mais de 90 leilões realizados em 2025, o ano de 2026 deve repetir o feito. No entanto, as condições são diferentes com o ano eleitoral e um pico de CAPEX pode dificultar a execução dos projetos programados.
Segundo Nelson Barbosa, a capacidade de financiamento existe.
“A maior parte desses projetos tem sido cada vez mais financiada via mercado de capitais. É lançado um debênture, e isso vem acontecendo no mundo inteiro”, disse.
O BNDES é quem tem coordenado a emissão de alguns títulos de dívida. O banco também possui fundos especiais dedicados a infraestruturas que precisam de mais apoio, como o fundo climático, infraestrutura ambiental e infraestrutura social com educação, saúde e segurança.
De acordo com Barbosa, em algumas áreas a matriz de risco já está bem desenvolvida, como rodovias. Em outras áreas, como saneamento, transporte urbano, educação, o mercado está calibrando o modelo.
“Na execução, a demanda gera a própria oferta. As empresas brasileiras têm capacidade de execução, com novos players engajando nesses projetos”, afirmou.
Ano eleitoral e o ciclo de investimentos
Para o BNDES, o ciclo de investimentos muda em ano eleitoral, ainda que os projetos durem mais do que quatro anos. “Nossos projetos são mais de Estado do que de governo. Por definição vão atravessar mais de um mandato”, afirmou o diretor.
O que muda são as etapas de execução para cada tipo de contratação. Em 2026, por exemplo, os projetos com os governos estaduais já estão em fases finais. Em contrapartida, muitas prefeituras começaram a contratar projetos agora, na metade dos mandatos.
“Os projetos podem ser executados pelo BNDES no mandato seguinte, seja qual for o governo. Esses projetos ficam”, disse Barbosa.
“Cabe ao próximo governo decidir o seu ritmo. Se deixa um legado de projetos já elaborados ou já em execução para serem feitos.”
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