Cartier aposta no Brasil para o relançamento do Roadster
“Esse é um modelo que conversa muito com o Brasil, tenho certeza de que será um sucesso por aqui.” Foi dessa forma, com confiança e conhecimento de mercado, que Mehdi Sqalli, presidente da Cartier para a América do Sul, abriu o jantar de pré-lançamento do modelo Roadster, em São Paulo.
O novo Roadster foi apresentado em abril passado no salão Watches & Wonders, em Genebra. O modelo de inspiração automotiva foi produzido anteriormente entre 2002 e 2012. A nova versão foi apresentada ontem em um evento para 70 clientes e convidados da marca no São Paulo Surf Club.
O Brasil está entre os poucos escolhidos para a fase de pré-lançamento do relógio neste mês de maio, antes da disponibilidade global prevista para outubro de 2026, o que reforça a aposta da Cartier para o Roadster no mercado nacional.
Mehdi Sqalli assumiu a operação sul-americana da maison em junho de 2023. Francês de 45 anos, Sqalli está na Cartier desde 2004. Dentro do grupo Richemont, passou por cargos nas áreas de marketing e comercial na Europa e na Ásia. Acompanhe a entrevista a seguir.
Um estudo recente mostrou que a Cartier é a marca que mais tem se valorizado no mercado secundário. A que se deve essa valorização?
Esse é um dado do qual temos muito orgulho na Cartier. A valorização expressiva de nossas criações no mercado secundário representa uma confirmação profunda do valor duradouro da maison. Isso fala diretamente sobre o caráter atemporal dos nossos designs e também sobre o nosso savoir-faire singular. Em um mundo em constante transformação, a qualidade duradoura e o status icônico das peças Cartier oferecem uma sensação concreta de estabilidade e beleza permanente, algo muito valorizado por colecionadores e apreciadores da marca.
Muitos consumidores da geração Z voltaram a usar relógios, frequentemente buscando modelos vintage ou referências ao passado. A Cartier percebe esse movimento?
Esse interesse renovado por relógios, especialmente modelos com inspiração vintage, por parte da geração Z, é algo muito positivo. Para a Cartier, isso reforça o apelo universal e duradouro dos verdadeiros ícones de design. Essa geração é extremamente informada e procura peças que tenham substância genuína e um ponto de vista próprio. A história da maison é repleta desse tipo de criação, e percebemos que nossos designs clássicos, com personalidade forte e rica procedência, dialogam diretamente com o desejo de autenticidade e de conexão com algo verdadeiramente especial e duradouro.
Quais são os principais atributos que o consumidor procura na Cartier?
Os principais atributos buscados pelos clientes estão ligados à própria essência da Cartier: design icônico, excelência artesanal e uma herança histórica muito rica. Os consumidores desejam peças que não sejam apenas belas, mas que também carreguem significado e história. No fim, os clientes procuram objetos capazes de criar uma conexão emocional, marcar momentos importantes e transmitir uma sensação de prestígio atemporal e expressão pessoal. Trata-se de adquirir algo que vai além da função ou do adorno, tornando-se quase uma assinatura pessoal e uma herança para futuras gerações.
A Cartier é frequentemente reconhecida mais pelo design do que pelos movimentos, e muitos relógios usam quartzo. Esse é um aspecto que a marca pretende desenvolver mais no futuro, no sentido de oferecer movimentos mecânicos mais sofisticados?
Ao longo dos anos, a Cartier fortaleceu continuamente sua capacidade de manufatura e expandiu o desenvolvimento de movimentos automáticos e manuais próprios. Hoje, essa expertise relojoeira está presente não apenas nas criações de alta relojoaria da maison, mas também em coleções emblemáticas como Santos e agora na nova geração do Roadster, equipada com movimentos de manufatura como os calibres 1847 MC e 1899 MC. Na Cartier, design e mecânica são concebidos juntos. O movimento nunca é desenvolvido de maneira independente do objeto, mas sempre em função das proporções, da elegância e da identidade geral do relógio. Essa filosofia sempre definiu a abordagem da maison em relojoaria. Nesse sentido, sejam mecânicos ou a quartzo, todos os movimentos são escolhidos e desenvolvidos de acordo com os padrões da Cartier em precisão, confiabilidade e refinamento. Olhando para o futuro, a Cartier certamente continuará investindo em relojoaria mecânica e inovação, mantendo-se fiel ao equilíbrio que define a maison, a excelência técnica a serviço do design.
Como você descreveria o comportamento do consumidor brasileiro em relação à Cartier? Quais modelos são mais procurados por aqui e quais atributos os brasileiros mais valorizam na marca?
Os clientes brasileiros são extremamente sofisticados e possuem uma compreensão refinada do verdadeiro luxo. O Santos é um enorme sucesso no Brasil, uma conexão certamente fortalecida pela inspiração no aviador brasileiro Alberto Santos-Dumont. Também vemos uma afinidade muito forte com nossas coleções icônicas de joalheria, como Love, Juste un Clou e Panthère, que atravessam gerações no mundo todo. Mais recentemente, estamos particularmente entusiasmados com o relançamento do Roadster. A fase de pré-lançamento nas Américas, iniciada em maio, já mostrou resultados bastante promissores, indicando uma recepção forte entre os apreciadores brasileiros que valorizam seu design distinto e seu caráter robusto.
É possível definir um perfil geral do consumidor Cartier em termos de gênero, idade ou profissão?
Definir um único perfil restrito para um cliente Cartier seria reduzir o apelo universal da maison. Nossa clientela é extremamente diversa, abrangendo diferentes gêneros, idades e profissões. O que une essas pessoas não é uma característica demográfica específica, mas sim uma apreciação compartilhada pela beleza, pela excelência artesanal, pelo design atemporal e pela herança histórica.
Os modelos da coleção Privée costumam gerar muita expectativa todos os anos. Como a marca consegue explorar seus designs históricos sem ficar presa ao passado?
A coleção Privée é um belo exemplo de como a Cartier navega de forma precisa entre a valorização da herança histórica da maison e a inovação. Nós vemos nossos arquivos não como um museu estático, mas como uma fonte inesgotável de inspiração. A chave não é simplesmente replicar o passado, mas reinterpretar esses designs icônicos sob uma perspectiva contemporânea. Essa exploração envolve o uso de tecnologia de ponta, novos materiais e conhecimento relojoeiro atual. Trata-se de capturar a essência de uma peça histórica e dar a ela uma nova vida.
Cartier Roadster: volta do relógio de inspiração automobilística (Cartier)
O Brasil é um país muito conectado às redes sociais. As plataformas digitais são importantes para a Cartier em termos de construção de marca e vendas?
As redes sociais são um componente essencial da estratégia de comunicação da Cartier no mundo inteiro, incluindo o Brasil. Utilizamos esses canais para destacar novas coleções, celebrar nossa herança e criar conversas relevantes com os consumidores. As redes sociais são uma ferramenta poderosa para construção de marca, fortalecimento da lealdade dos clientes e aprofundamento da conexão com a Cartier. Mas para que esse engajamento digital realmente se transforme em fidelidade duradoura e vendas consistentes, ele precisa estar conectado à experiência presencial e ao serviço oferecido nas boutiques Cartier. É uma abordagem integrada, na qual presença digital e relacionamento humano trabalham juntos para criar uma experiência completa da maison.
Neste ano, a Cartier relançou o Roadster. O Brasil tem forte ligação com a cultura do automobilismo. Existe expectativa elevada para as vendas do modelo, especialmente no mercado brasileiro?
O relançamento do Roadster representa um momento importante e estratégico para a Cartier. O Brasil é identificado como um mercado fundamental, no qual esperamos uma performance excepcional. O país está entre os poucos escolhidos para a fase de pré-lançamento do relógio neste mês de maio, antes da disponibilidade global prevista para outubro de 2026. O design distinto e o caráter robusto do Roadster conversam diretamente com as preferências de muitos apreciadores brasileiros. Acreditamos que ele se tornará uma adição importante à nossa coleção no Brasil, especialmente entre clientes que valorizam tanto excelência relojoeira quanto uma estética mais dinâmica.
Existem planos de expansão da Cartier no Brasil, com mais butiques ou novos parceiros de varejo?
O Brasil é um mercado de enorme importância estratégica para a Cartier na América Latina. Estamos profundamente comprometidos em atender nossos clientes aqui e avaliamos continuamente oportunidades para aprimorar sua experiência com a maison. Embora eu não possa compartilhar detalhes específicos sobre planos futuros, posso afirmar que estamos sempre buscando maneiras de expandir nossa presença de forma cuidadosa e aprimorar nosso serviço, seja por meio da otimização da estrutura atual, seja explorando novos locais ou parcerias selecionadas que estejam alinhadas ao padrão de excelência da Cartier.
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