Casa Branca articula reunião com aliados de Trump na América Latina

Por Estela Marconi 13 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Casa Branca articula reunião com aliados de Trump na América Latina

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizará uma reunião de cúpula com lideranças latino-americanas alinhadas no dia 7 de março, em Miami, segundo informou um funcionário da Casa Branca à AFP nesta quarta-feira, 11.

O convite deve ser feito aos presidentes da Argentina, Paraguai, Bolívia, El Salvador, Equador e Honduras, em meio a um momento de reconfiguração das relações entre Washington e a América Latina. A pauta do encontro não foi divulgada, e os governos citados ainda não se pronunciaram.

A iniciativa ocorre após a nova estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos, apresentada em dezembro, retomar conceitos associados à Doutrina Monroe e sinalizar menor tolerância à influência de potências consideradas hostis, como a China, além de endurecimento diante de dissidências regionais.

Esse reposicionamento foi evidenciado na Venezuela, onde a pressão militar americana culminou na captura de Nicolás Maduro, acusado por Washington de liderar um cartel de narcotráfico. Após a queda de Maduro, aliados chavistas permaneceram no poder com agenda alinhada à Casa Branca, tendo o petróleo como eixo central.

Os Estados Unidos passaram a supervisionar a venda do produto e buscam acelerar a extração. Ao mesmo tempo, cortaram o fornecimento energético a Cuba, ampliando a crise no país.

Entre os possíveis convidados, predominam governos considerados próximos ao presidente americano. Nayib Bukele, de El Salvador, tem cooperado com a política migratória dos EUA ao receber deportados em sua megaprisão. No Equador, Daniel Noboa tentou autorizar bases militares americanas, mas a proposta foi rejeitada em referendo.

No Paraguai, Santiago Peña mantém alinhamento frequente com Trump, enquanto na Argentina Javier Milei se tornou um dos principais aliados regionais do republicano. Também estão entre os nomes citados Nasry Asfura, em Honduras, e Rodrigo Paz, cuja eleição na Bolívia marcou o fim de duas décadas de domínio da esquerda.

A imigração deve ser um dos temas centrais da reunião, embora a Casa Branca não tenha confirmado a agenda. Bukele aceitou receber deportados de diferentes nacionalidades, mas outros líderes impuseram restrições. Noboa afirmou que aceitaria apenas equatorianos, enquanto a Argentina negocia o recebimento de imigrantes de países vizinhos.

Três dos países citados — Argentina, Paraguai e El Salvador — também aceitaram integrar o chamado Conselho da Paz, iniciativa de Trump concebida inicialmente para tratar do conflito na Faixa de Gaza e que pretende funcionar como um espelho do Conselho de Segurança da ONU. A primeira reunião está prevista para a próxima semana, em Washington. O Brasil foi convidado, mas ainda não confirmou participação.

*Com informações da AFP

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