Casal cria refrigerante natural para filho alérgico e projeta faturar R$ 7,2 milhões
O filho mais novo de Letícia Dal Bello Morello e Rafael Morello adora refrigerante. O problema é que ele tem alergia a corantes artificiais, um ingrediente comum nas bebidas tradicionais. Foi tentando encontrar uma alternativa que o casal gaúcho decidiu criar o próprio produto dentro da fábrica de bebidas que já mantinham em Estância Velha, cidade gaúcha que fica a 48 quilômetros de Porto Alegre.
O que começou como um produto para ser consumido dentro de casa virou um novo negócio. A Match, marca de refrigerantes naturais lançada pelo casal, aposta em bebidas sem adição de açúcar, sem sódio e com alta concentração de fruta para disputar espaço no mercado premium de bebidas saudáveis.
Hoje, a marca está presente em 40 pontos de venda no Rio Grande do Sul, além de marketplaces como Mercado Livre e Amazon. A empresa projeta faturar R$ 2 milhões em 2026 considerando toda a operação — que inclui também a cervejaria Clandestina, origem do negócio da família — e quer alcançar R$ 7,2 milhões em 2027 com a expansão da linha de refrigerantes.
“A gente sentiu uma preocupação que não era só nossa. Muitos pais estão buscando produtos com menos ingredientes artificiais e mais naturais para os filhos”, afirma Letícia.
Qual é a origem da empresa
A trajetória da empresa começou bem antes da Match existir. Em 2008, o casal passou a produzir cerveja artesanal como hobby. O projeto amadureceu ao longo de quase uma década até virar negócio oficialmente, em 2016, quando abriram uma cervejaria própria em Estância Velha. Durante anos, a operação esteve focada exclusivamente na produção de cervejas artesanais da marca Clandestina Craft Beer.
Foi na pandemia que surgiu a ideia de aproveitar a estrutura da fábrica para desenvolver novos produtos — desta vez, sem álcool. Os primeiros testes começaram em 2021, mas o produto só foi lançado agora. Desde o início, a proposta era criar um refrigerante com mais fruta, ingredientes naturais e um perfil diferente das bebidas tradicionais encontradas no mercado.
Segundo os fundadores, os refrigerantes da Match utilizam entre 25% e 30% de suco de fruta na composição — algo que, segundo eles, representa até cinco vezes mais fruta do que refrigerantes de concorrentes.
Refrigerantes da Match: marca aposta em bebidas sem adição de açúcar e com até 30% de suco de fruta (Match/Divulgação)
Hoje, a marca conta com seis sabores. Entre eles estão pêssego com limão kafir, frutas vermelhas, bergamota e pomelo. O sabor de pomelo, comum em países como Argentina e Uruguai, surgiu das viagens que o casal fazia para os países vizinhos.
“O pomelo veio muito dessa nostalgia das viagens para Argentina e Uruguai. É um refrigerante com um toque mais amargo, quase como uma alternativa à água tônica”, diz Rafael.
O posicionamento mais natural também aparece na tabela nutricional. Segundo a empresa, o refrigerante de pomelo tem menos de 9 calorias por lata de 350 ml, enquanto o sabor pêssego chega a 57 calorias devido à concentração maior da fruta.
Como a empresa quer crescer
Hoje, toda a produção da Match acontece na fábrica própria da empresa em Estância Velha, utilizando parte da infraestrutura originalmente construída para a cervejaria.
A capacidade produtiva, porém, ainda é limitada. Segundo os sócios, a empresa consegue envasar cerca de mil latas por dia. Para crescer, a Match prepara um investimento de R$ 500 mil para instalar uma nova linha de envase.
“O nosso gargalo hoje é o envase. Com uma linha nova, conseguiríamos produzir de oito a dez vezes mais do que hoje”, afirma Rafael.
Com a expansão, a empresa estima alcançar uma capacidade de até 6 mil ou 7 mil latas por dia. A estratégia inclui ampliar a presença em outros estados, incluindo vendas em restaurantes e lojas de produtos naturais, além de participar de feiras do setor.
Além do Rio Grande do Sul, a empresa já registra vendas online para estados como Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Segundo os fundadores, o desafio agora é fazer o consumidor experimentar o produto.
Marca são está sozinha
A Match não pretende disputar mercado diretamente com os refrigerantes tradicionais vendidos em larga escala. O foco da empresa está em um público que busca produtos considerados saudáveis e está disposto a pagar mais por isso.
As latas de 350 ml da Match custam R$ 10 e o posicionamento da empresa mira consumidores que já frequentam o universo de kombuchas, produtos naturais e bebidas funcionais.
“Não é um produto para competir com grandes marcas no mainstream. Nossa proposta é trabalhar por diferenciação”, afirma Rafael.
A Match chega a um mercado que já começa a ganhar novos players no Brasil. Um dos casos mais conhecidos é o da Wewi, marca criada em 2016 em Santa Catarina que tem produtos sem conservantes, corantes artificiais e versões sem açúcar. Outra empresa que entrou nesse segmento foi a Praya, do Rio de Janeiro, lançada em 2021 com bebidas gaseificadas naturais e foco em ingredientes considerados mais saudáveis.
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