Casal do Nordeste faz R$ 243 milhões com franquia de cuidadores. Agora, mira expansão internacional

Por Guilherme Gonçalves 15 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Casal do Nordeste faz R$ 243 milhões com franquia de cuidadores. Agora, mira expansão internacional

Eles já ganhavam bem no mercado de trabalho, mas quiseram empreender. Em 2016, a fisioterapeuta Jéssica Soares Ramalho e o médico geriatra Vitor Hugo de Oliveira criaram a Acuidar, uma empresa de cuidadores para idosos e pessoas com necessidades. O negócio começou dentro de um coworking em João Pessoa (PB), com investimento de R$ 10 mil. Passados 10 anos, tornou-se a maior rede de franquias do setor na América Latina.

A rede fechou 2025 com faturamento de R$ 243 milhões, crescimento médio anual entre 27% e 30%, mais de 340 unidades espalhadas pelo Brasil e uma operação com cerca de 18 mil cuidadores ativos. Para 2026, a expectativa é alcançar mais de R$ 300 milhões em receita.

O próximo passo é atravessar as fronteiras do Brasil. A empresa já prepara sua primeira unidade internacional, em Lisboa, Portugal, com uma estrutura que, segundo os fundadores, está 80% pronta para a inauguração.

Como surgiu a Acuidar

Antes de virar uma empresa, a Acuidar nasceu de uma experiência pessoal de Jéssica. Aos sete anos, ela acompanhou de perto os cuidados com o pai, que tinha hipertensão, diabetes e Alzheimer. Na época, segundo ela, a profissão de cuidador ainda era pouco conhecida e muitas famílias recorriam a pessoas sem formação específica para lidar com idosos.

“Eu não queria uma pessoa que não tinha formação nenhuma administrando as medicações dele, acompanhando em consultas médicas. Mesmo com sete anos, eu quis fazer esse cuidado com ele”, diz Jéssica.

A vivência acabou influenciando sua trajetória profissional. Formada em fisioterapia, ela passou a atuar em visitas domiciliares e percebeu que o problema continuava presente: famílias precisavam de ajuda, mas ainda havia pouca estrutura para oferecer um atendimento seguro.

Foi nesse cenário que ela e Vitor, que havia seguido carreira na geriatria, decidiram criar a Acuidar.

“Mesmo tendo passado tantos anos, a gente ainda via idosos sendo cuidados por empregadas domésticas, por pessoas sem informação, e isso impactava muito na qualidade de vida deles”, afirmou Jéssica.

Como a Acuidar aumentou de tamanho — e quer seguir crescendo

A empresa começou oferecendo cuidados domiciliares para idosos, mas ampliou o público ao longo dos anos. Hoje, atende também crianças, pessoas em pós-operatório e pessoas com deficiência. O serviço envolve desde cuidados básicos, como acompanhamento de rotina, administração de medicamentos e higiene, até atividades voltadas à qualidade de vida.

A virada de escala veio em 2020, quando a Acuidar entrou no franchising. Mesmo em meio à pandemia, a empresa acelerou a expansão, impulsionada pela demanda por cuidados domiciliares.

“Foi um ano de muita expansão e muito crescimento. As pessoas precisavam ainda mais de cuidados, muitas vezes familiares tinham medo de estar próximos de pessoas com Covid e procuravam alguém para cuidar”, disse Jéssica.

Apesar de atuar em um segmento essencialmente humano, a Acuidar criou uma estrutura para transformar o cuidado em uma operação escalável. O cliente contrata a empresa, que faz uma avaliação da rotina e das necessidades da pessoa atendida antes de indicar o profissional mais adequado. A companhia também administra contratação, treinamento e substituição dos cuidadores quando necessário.

Para ampliar a oferta de profissionais, a empresa criou o método "Cuidador Classe A", um treinamento próprio que abastece o banco de talentos da rede. Atualmente, são mais de 72 mil pessoas cadastradas nesse banco, segundo os fundadores.

A tecnologia também entrou na operação. A empresa desenvolveu ferramentas internas para gestão das unidades e usa inteligência artificial para ajudar no cruzamento entre perfil do cuidador e necessidade do cliente.

“A tecnologia ajuda a organizar e fortalecer nossa operação, mas o cuidado continua sendo essencialmente humano. É isso que sustenta nossa relação com as famílias”, afirma Jéssica.

Quais serão os próximos passos da Acuidar

O modelo da Acuidar tem uma característica importante para o negócio: receita recorrente. Como muitos clientes idosos contratam planos mensais, a empresa consegue manter contratos de longo prazo.

“Quanto mais o tempo vai passando, existe uma tendência de aumentar cada vez mais o faturamento. Temos a recorrência dos clientes que já estão na casa e os novos clientes que estão chegando”, explicou Jéssica.

Para os fundadores, o fato de construírem o negócio como casal também ajudou a moldar a cultura da companhia. Segundo Jéssica, 85% dos franqueados da rede são casais.

“Eu tenho esse perfil mais comunicativo e o Vitor já é muito bom com números, com dados. A gente se completa dessa forma”, afirmou.

Agora, depois de transformar uma experiência familiar em uma rede nacional, o casal quer levar o modelo para outros mercados. O primeiro destino será Portugal — um movimento que pretende testar a força da marca fora do Brasil e abrir uma nova fase de crescimento para a empresa.

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