Catarinense mapeia mercado de R$ 23 bi em diagnóstico médico por imagem

Por Rafael Martini 10 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Catarinense mapeia mercado de R$ 23 bi em diagnóstico médico por imagem

Ademar Paes Júnior é um médico inquieto. Enquanto construía carreira como radiologista e se tornava sócio da principal clínica de diagnóstico por imagem de Florianópolis, também se dedicava ao estudo da gestão empresarial, com formação no Brasil e no exterior. Ao longo dos anos, passou a atuar na intersecção entre saúde, tecnologia e estratégia.

Hoje, concilia a prática médica com posições de liderança no setor. É presidente da Unimed Grande Florianópolis e CEO da LifesHub, empresa de tecnologia especializada em inteligência de dados e automação para análise de mercados complexos.

Foi a partir dessa combinação que surgiu a leitura de um problema bilionário. A renovação do parque de diagnóstico por imagem no Brasil, em clínicas e hospitais, deixou de ser tendência para se tornar uma urgência econômica.

Dos 11.062 equipamentos instalados no país, 4.684 já estão próximos do fim da vida útil técnica — quase metade do parque instalado (42%) —, o que projeta um ciclo imediato de substituição superior a R$ 23 bilhões, considerando um custo médio acima de R$ 5 milhões por equipamento.

No Sul, são 910 aparelhos nessa condição, dentro de uma base de 1.908 máquinas — o equivalente a 48% da infraestrutura regional —, concentrando um mercado potencial de cerca de R$ 4,5 bilhões em uma das regiões com maior pressão por renovação do sistema de saúde no país.

Os dados são resultado de estudos conduzidos pela LifesHub, que estruturou uma base histórica do sistema de saúde brasileiro desde 2005 e desenvolveu um modelo capaz de estimar a “idade real” dos equipamentos, cruzando informações de instalação, intensidade de uso, perfil tecnológico e dinâmica de mercado para antecipar o estágio funcional desses ativos.

A leitura desse mapeamento revela onde está a pressão mais imediata por investimento. No Brasil, os tomógrafos computadorizados concentram 3.233 unidades próximas do limite técnico, mais que o dobro das 1.451 ressonâncias magnéticas. No Sul, o padrão se repete, com 606 tomógrafos e 304 ressonâncias nessa condição, indicando que a renovação deve começar pelos equipamentos de maior uso e criticidade operacional.

O mercado brasileiro de equipamentos de diagnóstico por imagem está em expansão. Segundo relatório da consultoria internacional IMARC Group, o segmento foi estimado em cerca de R$ 3,1 bilhões em 2025, com projeção de crescimento nos próximos anos. Já o volume de exames de diagnóstico por imagem no país alcançou 24,4 milhões de procedimentos em 2024, conforme levantamento divulgado pelo Painel Abramed.

Esse movimento ganha ainda mais relevância quando observado pelo volume de exames realizados. O Brasil ultrapassa a marca de 1 bilhão de exames diagnósticos por ano, com destaque para a imagem médica, que responde por cerca de 24,4 milhões de procedimentos anuais. Embora os dados públicos não detalhem integralmente por modalidade, tomografias e ressonâncias concentram os exames de maior complexidade e valor clínico.

Os tomógrafos computadorizados utilizam raios X para gerar imagens detalhadas em cortes do corpo, sendo amplamente usados em emergências e diagnósticos rápidos. Já as ressonâncias magnéticas operam com campos magnéticos e ondas de rádio, permitindo análises mais precisas de tecidos moles, como cérebro, músculos e articulações.

Mantida a proporção regional da infraestrutura, o Sul responde por algo entre 15% e 20% desse volume, refletindo sua maior densidade de equipamentos e capacidade assistencial. Mais do que quantidade, esses exames são hoje base para praticamente toda a medicina moderna — do diagnóstico ao acompanhamento de doenças oncológicas, cardiovasculares, neurológicas e ortopédicas —, consolidando-se como a espinha dorsal da tomada de decisão clínica.

Problema histórico

Mas é a qualidade e intensidade desse parque instalado que explicam por que o Sul se torna o epicentro desse ciclo. A região concentra cerca de 17% da base instalada nacional, mas responde por quase 20% dos equipamentos próximos ao fim da vida útil, evidenciando maior pressão de uso e envelhecimento acelerado dos ativos.

Na prática, cerca de 1 em cada 2 equipamentos instalados no Sul já se aproxima do limite técnico, proporção superior à média nacional. No caso dos tomógrafos — principal gargalo do setor —, são 606 unidades em estágio crítico na região, consolidando o Sul como um dos primeiros mercados a demandar substituição em escala.

Esse cenário expõe também um problema histórico do setor. Durante décadas, hospitais e clínicas tomaram decisões sobre equipamentos de milhões de reais de forma reativa, substituindo ativos apenas diante de falhas ou perda evidente de performance.

O diferencial está na mudança de lógica. Em vez de decisões reativas, motivadas por falhas, a tecnologia permite antecipar o momento ideal de substituição, organizando o CAPEX com previsibilidade e reduzindo riscos operacionais.

Para hospitais e clínicas, isso significa reduzir paradas inesperadas e melhorar a eficiência financeira. Para fabricantes e distribuidores, representa uma nova fronteira comercial baseada em dados, capaz de direcionar estratégias com precisão regional.

“Quando dados são conectados de forma inteligente, eles deixam de ser apenas informação histórica e passam a indicar o futuro do mercado”, afirma Ademar Paes Júnior.

Mais do que dimensionar um problema, os estudos apontam para uma mudança estrutural no setor. Em um mercado de dezenas de bilhões de reais, antecipar deixou de ser vantagem competitiva. Tornou-se estratégia.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: