Ceará vira palco de disputa entre Flávio e Michelle Bolsonaro por alianças do PL

Por Estela Marconi 18 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ceará vira palco de disputa entre Flávio e Michelle Bolsonaro por alianças do PL

O Ceará se tornou um dos estados mais estratégicos para os planos eleitorais do PL em 2026 e também um dos principais focos de divergência dentro da família Bolsonaro.

Segundo o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, a legenda projeta eleger seis deputados federais no estado, o dobro da bancada atual.

“O Ceará, para nós, é estratégico. Vamos estar lá no dia 10 de julho para dar apoio às nossas candidaturas. Faremos seis deputados federais, essa é a nossa expectativa. Também teremos candidato ao Senado”, afirmou Marinho a jornalistas.

Apesar da prioridade dada ao estado, o partido ainda não definiu se integrará uma eventual chapa do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao governo cearense. A aproximação entre o PL e o tucano é alvo de críticas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e tem alimentado divergências dentro do núcleo bolsonarista.

Em 2022, o Ceará foi um dos estados em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve ampla vantagem. O petista recebeu 69,97% dos votos válidos, contra 30,03% do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

O diretório estadual do PL defende a candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes ao Senado em uma eventual chapa liderada por Ciro Gomes. A articulação conta com o apoio de Flávio Bolsonaro.

Michelle, por sua vez, prefere que o partido apoie o senador Eduardo Girão (Novo), que se apresenta como oposição ao ex-governador cearense.

A ex-primeira-dama participará do lançamento da pré-candidatura ao Senado de Priscila Costa, vice-presidente nacional do PL Mulher e uma de suas principais aliadas. Flávio estará presente no lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes.

O partido deve decidir até o encerramento das convenções, no fim de julho, se apoiará Alcides ou Priscila na disputa por uma vaga no Senado.

Relação desgastada

O atrito entre Michelle e Flávio começou quase um mês antes do anúncio da pré-candidatura presidencial do senador, em dezembro do ano passado. Na ocasião, ele criticou publicamente a madrasta e classificou sua postura como “autoritária”.

A declaração ocorreu após Michelle atuar contra a aproximação entre o PL e Ciro Gomes no Ceará. A ex-primeira-dama tentava convencer a legenda a apoiar Eduardo Girão ao governo estadual.

As divergências acabaram interrompendo as negociações entre o PL e o grupo de Ciro naquele momento. Nos últimos meses, porém, aliados dos dois lados identificaram sinais de reaproximação entre o tucano e setores do bolsonarismo cearense.

Recentemente, Michelle afirmou que apoiará a candidatura presidencial de Flávio “no momento certo”, sem detalhar quando pretende participar mais ativamente da campanha.

Embora não haja previsão de manifestações explícitas de apoio durante a agenda no Ceará, integrantes do partido avaliam que a presença de Michelle e Flávio no mesmo evento já será interpretada como um gesto de unidade do campo bolsonarista.

*Com O Globo

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