CEO da OpenAI pede revisão em contrato com Pentágono e admite que acordo foi 'descuidado'
O executivo Sam Altman compartilhou no X que o acordo com o Departamento de Guerra dos Estados Unidos terá alterações no texto após as críticas feitas à parceria. De acordo com o CEO da OpenAI, foram redigidos termos para garantir que a inteligência artificial da empresa não será utilizada para fins ilegais ou que desrespeitem a liberdade individual de residentes do país norte-americano.
Entre os novos apontamos enviados em e-mail para as equipes da empresa de IA, estão inclusos os seguintes requisitos: "o sistema de IA não deve ser utilizado intencionalmente para vigilância interna de cidadãos e nacionais dos EUA" e "proibir o rastreamento, vigilância ou monitoramento deliberado de cidadãos ou residentes dos EUA, incluindo através da aquisição ou uso de informações pessoais ou identificáveis obtidas comercialmente".
Ele também admitiu que a OpenAI errou em acelerar o processo de aprovação e comunicação do acordo, divulgado na última sexta-feira. "As questões são extremamente complexas e exigem uma comunicação clara. Estávamos genuinamente tentando acalmar os ânimos e evitar um resultado muito pior, mas acho que isso acabou parecendo oportunista e descuidado", declarou o empresário.
OpenAI enfrenta favoritismo da Anthropic após críticas
As mudanças são em decorrência das críticas feitas à OpenAI e ao movimento que culminou em cancelamentos dos serviços pagos do ChatGPT. Nas redes sociais, milhares de usuários apoiaram a decisão da Anthropíc, empresa de IA sediada em São Francisco e criadora do modelo Claude, de recusar a proposta do Pentágono e utilizaram o momento para mudar de plataforma de preferência. Dario Amodei, CEO da Anthropic, afirmou que contratos anteriores com o Departamento de Defesa não previam uso irrestrito das ferramentas para finalidades que classificou como incompatíveis com "valores democráticos".
Segundo Amodei, a companhia já colaborou com o governo dos EUA em medidas como a restrição do uso do Claude por empresas ligadas ao Partido Comunista da China (PCCh). Ainda assim, ele declarou que a empresa não concorda com a concessão de autonomia plena a sistemas militares baseados em IA. "Sem supervisão adequada, não se pode confiar que armas totalmente autônomas exerçam o julgamento crítico que nossas tropas demonstram", escreveu o executivo em nota publicada no site da empresa. Ele argumenta que nenhum modelo atual de IA está preparado para lidar com as consequências de decisões militares autônomas.
O que os EUA quer com a OpenAI
O objetivo central é desenvolver sistemas de IA capazes de identificar rapidamente vulnerabilidades em softwares e redes de regiões classificadas como rivais estratégicas. Esses recursos seriam incorporados ao aparato de monitoramento digital já utilizado pelos Estados Unidos, que inclui ferramentas de espionagem cibernética.
De acordo com o jornal britânico Financial Times, a sede do Departamento de Defesa busca acesso a tecnologias de empresas como Google e OpenAI para aprofundar o reconhecimento de setores considerados sensíveis na China, como redes elétricas e serviços públicos. A intenção é ampliar a capacidade de análise de infraestrutura crítica em um eventual cenário de conflito.
Especificamente em relação à China, o governo norte-americano solicitou que as ferramentas contratadas possam acessar redes de computação para prever possíveis alvos em operações militares. A pirataria cibernética assistida por IA pode ampliar exponencialmente o número de portas testadas e tornar o mapeamento de alvos mais eficiente, afirmou Dennis Wilder, ex-chefe de análise da China na CIA, agência central de inteligência dos EUA, ao Financial Times.
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