CEO do Tinder diz que apps de namoro 'intimidam' a Geração Z
A Geração Z não perdeu o interesse em relacionamentos, mas está cada vez menos disposta a procurar isso nos aplicativos de namoro. Segundo Spencer Rascoff, CEO do Match Group, empresa dona de plataformas como Tinder, Hinge e OkCupid, o problema não está no desejo de se conectar, mas no formato como esses apps funcionam hoje.
Geração Z quer relações mais 'espontâneas'
Durante uma teleconferência com investidores na última terça-feira, 5, Rascoff afirmou que os usuários mais jovens ainda querem conhecer pessoas, mas preferem fazer isso de maneira mais leve e espontânea. Para ele, a Geração Z enxerga os aplicativos tradicionais como ambientes excessivamente estruturados, com uma dinâmica que pode parecer intimidadora para quem tem menos de 30 anos.
"Eles só querem fazer isso de uma forma tranquila e sem grandes riscos, que não pareça uma entrevista de emprego", comenta Rascoff.
Perfis cuidadosamente montados, longas conversas e interações previsíveis têm afastado parte do público mais jovem, que hoje busca conexões em ambientes mais naturais, como clubes de corrida, grupos de leitura e encontros presenciais organizados por interesse.
Mudança comportamental recai sobre as plataformas
A mudança de comportamento tem pressionado o Match Group a rever o funcionamento de suas plataformas. No Hinge, a empresa começou a testar o recurso “Direct to Date”, que incentiva usuários a marcar encontros logo após o match, reduzindo o tempo gasto em conversas iniciais. Segundo Rascoff, os testes mostraram que os usuários tendem a escolher encontros simples, como caminhadas, drinks ou jantar.
O Tinder também começou a se mover nessa direção. Em março, o app lançou eventos presenciais em Los Angeles e passou a investir em recursos direcionados a afinidades, como “music mode” e “astrology mode”, numa tentativa de estimular conexões mais orgânicas e reduzir o desgaste causado pela lógica infinita de deslizar perfis.
O movimento acontece em meio a sinais mistos para o Match Group. A empresa registrou receita de US$ 864 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 4% em relação ao mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, o Tinder, principal marca do grupo, viu sua base de usuários ativos mensais cair 7%, reforçando o desafio de manter relevância entre os mais jovens e mostrando que o maior match que se precisa fazer agora é com a própria Geração Z.
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