CEO em tempos voláteis: o novo momento das commodities em meio à incerteza
Will Rook assumiu o comando global da Czarnikow, trading de commodities, em fevereiro de 2026 em meio a mudanças no comportamento do consumidor e pressão sobre o setor de açúcar.
À EXAME, em sua primeira entrevista como CEO, ele fala sobre os planos para a companhia e explica por que o Brasil continua como peça-chave na estratégia global da empresa, presente em mais de 25 países e com faturamento de mais de 5 bilhões de dólares por ano. Você se tornou CEO em um momento complexo para a geopolítica e o setor de commodities. Como tem sido?
As mudanças tarifárias e a instabilidade política — como o impacto de Donald Trump — causaram mais incertezas no comércio internacional. A incerteza hoje é o novo normal. Não é mais algo “estranho” — é esperado. Nosso grande desafio agora é escalar o negócio, e para isso criamos uma estrutura para priorizar as oportunidades. Implementamos uma nova governança, com um comitê executivo — do qual o Tiago Medeiros [CEO da Czarnikow no Brasil] faz parte, reforçando a importância das Américas.
Mas as mudanças no comportamento do consumidor também mexem com a Czarnikow, como as canetas emagrecedoras e a onda wellness, certo?
Começamos a ver algum impacto, mas ele ainda não é absoluto. Acredito que há questões maiores a considerar, como a renda disponível em muitos países. Nos mercados emergentes, a relação entre renda disponível e consumo de açúcar per capita é bastante próxima, o que pode gerar um impacto material daqui para a frente — quando as pessoas têm mais dinheiro disponível para gastar, tendem a consumir mais alimentos e bebidas industrializados, que geralmente contêm açúcar. Quando a renda diminui ou cresce menos, esse consumo também pode desacelerar — na minha visão, esse fator tem um peso maior neste momento.
Quais oportunidades enxerga e qual é o papel do Brasil?
O Brasil é uma das principais origens de produção de açúcar da Czarnikow e tem um time local de alto desempenho, que construiu um negócio sólido e diversificado. Além do açúcar, a operação brasileira vem se expandindo para áreas como grãos, ingredientes para alimentos e bebidas, matérias-primas, além de serviços e finanças corporativas. A aposta é na diversificação. Um exemplo é a entrada no setor de embalagens, promissor para o futuro da Czarnikow. Isso não significa abandonar o negócio de açúcar e outras commodities.
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