Cerebras estreia na Nasdaq com salto de 68% e transforma CEO em novo bilionário da IA

Por Maria Eduarda Cury 15 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cerebras estreia na Nasdaq com salto de 68% e transforma CEO em novo bilionário da IA

A Cerebras estreou na Nasdaq com uma das maiores valorizações de abertura já registradas em Wall Street para uma oferta bilionária. As ações da fabricante de chips voltados para inteligência artificial saíram do preço de US$ 185 no IPO e encerraram o pregão cotadas a US$ 311,07, avanço de 68% já na estreia. O movimento consolidou a abertura de capital como a maior do setor de semicondutores nos Estados Unidos.

A companhia levantou US$ 5,5 bilhões na operação, superando o recorde da ARM Holdings, empresa britânica de arquitetura de chips controlada pelo grupo japonês SoftBank, que havia captado US$ 5,23 bilhões em 2023. O IPO também se tornou o maior do ano no mercado americano, em meio à retomada do apetite por empresas ligadas à inteligência artificial.

Com a disparada das ações, o patrimônio de Andrew Feldman, cofundador e CEO da Cerebras, avançou rapidamente para a casa dos bilhões de dólares. Feldman defende que a corrida da IA ainda está em estágio inicial e que o aumento da adoção da tecnologia exigirá capacidade computacional em escala crescente.

Segundo o executivo, a Cerebras aposta em velocidade de processamento para disputar espaço com gigantes já estabelecidas do setor. Em entrevista à Bloomberg após a estreia, Feldman afirmou que a empresa consegue processar dados mais rapidamente que seus concorrentes.

O valor de mercado da Cerebras ficou em US$ 67 bilhões considerando apenas as ações em circulação. Quando incluídos papéis conversíveis, opções e warrants, instrumentos financeiros que garantem direito futuro de compra de ações, a avaliação sobe para aproximadamente US$ 83 bilhões.

A ascensão da companhia ocorre em meio à corrida global por infraestrutura de IA. O mercado de inferência — etapa em que modelos de inteligência artificial geram respostas em tempo real — virou um dos segmentos mais disputados do setor.

A Nvidia, líder em chips para treinamento de modelos, teria investido cerca de US$ 20 bilhões para comprar a Groq, rival direta da Cerebras no mercado de inferência rápida. Já o Google acelerou o lançamento de soluções próprias para competir na mesma frente.

OpenAI e Amazon reforçam aposta na fabricante

A carteira de clientes da Cerebras passou a incluir alguns dos principais grupos de tecnologia do mundo. Em fevereiro, a OpenAI utilizou pela primeira vez a infraestrutura da companhia para rodar um de seus modelos de IA.

O acordo incluiu 33,4 milhões de warrants em ações da Cerebras. Parte desses direitos estava condicionada ao cumprimento de metas financeiras e de mercado, incluindo uma avaliação superior a US$ 40 bilhões — marca ultrapassada já no primeiro dia de negociação.

A Amazon também anunciou planos para integrar chips da Cerebras aos processadores Trainium, desenvolvidos internamente pela gigante americana para cargas de inteligência artificial. Embora os contratos finais ainda estejam em negociação, as duas empresas afirmam que a parceria será concluída.

A abertura de capital da Cerebras ocorre após um período de incerteza regulatória. Em 2024, a empresa chegou a protocolar o pedido de IPO, mas retirou o processo após questionamentos do Comitê de Investimento Estrangeiro dos EUA, o CFIUS, órgão responsável por avaliar riscos de segurança nacional em operações corporativas.

A preocupação envolvia a relação comercial da Cerebras com a G42, empresa de inteligência artificial sediada em Abu Dhabi. O caso foi encerrado em março de 2025, liberando a companhia para voltar aos planos de listagem.

O momento do mercado também favoreceu a operação. O volume captado em IPOs nos Estados Unidos já ultrapassa US$ 27,4 bilhões neste ano, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025, desconsiderando SPACs, fundos imobiliários e veículos fechados de investimento.

Agora, investidores observam qual será o próximo grande teste da janela de tecnologia em Wall Street. A SpaceX, empresa espacial de Elon Musk, avalia uma oferta pública que poderia superar US$ 75 bilhões e se tornar a maior abertura de capital da história americana.

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