Cérebro dos cães levou milênios para se adaptar à vida com humanos
Os cães convivem com os humanos há cerca de 15 mil anos, mas uma das mudanças mais marcantes da domesticação pode ter levado muito mais tempo para acontecer do que se imaginava. Um novo estudo indica que a redução no tamanho do cérebro dos cães não começou logo no início dessa relação.
Cão teve cérebro parecido com o de lobos por muito tempo
A pesquisa, publicada na revista científica Royal Society Open Science no final de abril, mostra que esse encolhimento só se tornou evidente há cerca de 5 mil anos. Até então, os primeiros cães domesticados ainda mantinham cérebros semelhantes aos dos lobos, seus ancestrais selvagens.
Para chegar a essa conclusão, pesquisadores analisaram crânios de canídeos antigos e modernos, incluindo cães e lobos. O estudo comparou tomografias de 22 espécimes pré-históricos, que viveram entre 35 mil e 5 mil anos atrás, com amostras de mais de 160 animais atuais.
Os cientistas usaram o volume interno do crânio, chamado endocrânio, para estimar o tamanho do cérebro. Os resultados mostraram que os chamados protocães, animais com características intermediárias entre cães e lobos, ainda não apresentavam redução cerebral. Em alguns casos, o volume era até maior do que o observado em lobos do mesmo período.
Redução cerebral começou no Neolítico Tardio
A mudança aparece de forma mais clara apenas nos cães do Neolítico Tardio. Segundo os autores, foi nesse momento que a redução cerebral se tornou mais acentuada, muito depois do início da domesticação e antes do surgimento das raças modernas.
A descoberta ajuda a revisar uma ideia antiga de que a domesticação teria reduzido rapidamente o cérebro dos cães. O novo estudo aponta para um processo mais lento, ligado a mudanças no modo de vida humano, como o avanço da agricultura e a transformação do papel dos cães nas comunidades.
Isso não significa que os cães tenham se tornado menos inteligentes. Para os pesquisadores, a redução do cérebro pode estar ligada a novas adaptações cognitivas e comportamentais, como maior sensibilidade aos sinais humanos, melhor comunicação e respostas mais eficientes à convivência social.
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